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Lava Jato ressurge com cassação de Deltan e afastamento de Appio

José Marcos Lopes - Especial para a Folha
27 mai 2023 às 10:20

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Sylvio Sirangelo/TRF4
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Nas manchetes dos jornais entre 2014 e 2018, a operação Lava Jato passou a sumir gradativamente dos noticiários quando Jair Bolsonaro assumiu a presidência da República, em janeiro de 2018. Este processo culminou com o fim da força-tarefa no MPF (Ministério Público Federal) no Paraná, em fevereiro de 2021, mas os dois principais nomes da operação mantiveram força entre a direita brasileira: o ex-juiz Sergio Moro, que foi ministro da Justiça de Bolsonaro e se elegeu senador, e o ex-procurador Deltan Dallagnol, deputado mais votado no Estado no ano passado, que teve o mandato cassado no último dia 16.


A cassação foi um duro golpe para os apoiadores das carreiras políticas dos lava-jatistas, que também temem pelo futuro de Sergio Moro. O senador pelo União Brasil corre o risco de ter o mandato cassado a partir de uma ação movida pelo PL, o partido de Bolsonaro. Moro é acusado pelo PL de ter usado caixa dois, já que fez campanha a presidente pelo Podemos antes de disputar o Senado pelo União Brasil. Com isso, teria ultrapassado o teto de gastos da eleição para senador. A ação será julgada pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Paraná e poderá terminar no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O senador nega qualquer irregularidade nas contas.

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Depois da cassação, Dallagnol tem tentado unir setores da direita contra o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem atribui a perda de seu mandato. Entre os possíveis aliados estão o Partido Novo e o MBL (Movimento Brasil Livre). Nesta sexta-feira (28), o ex-chefe da força-tarefa da Lava Jato no MPF (Ministério Público Federal) no Paraná compartilhou em sua conta no twitter um vídeo em que diz que é preciso “unir a direita”. "Vejo isso no Novo, vejo isso no MBL e vejo isso nos deputados bolsonaristas, todos dispostos a se unirem por um bem maior”, afirmou.


No dia 17, ele fez um discurso em Brasília ao lado de deputados bolsonaristas como Marcel van Hattem (Novo-RS), Juliana Zanatta (PL-SC) e Bia Kicis (PL-DF), além do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente. Na última terça-feira, no entanto, Dallagnol não obteve apoio de membros da Mesa Diretora da Câmara para tentar barrar sua cassação na Casa.

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