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POLÍTICA

Deputados de Londrina avaliam de formas distintas a condução de Motta

Douglas Kuspiosz - Grupo Folha
05 jan 2026 às 15:19

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Foto: Lula Marques/Agência Brasil
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Os cinco deputados federais com base em Londrina avaliam 2025 como um ano marcado por forte tensão política no Congresso Nacional, com disputas ideológicas frequentes, embates institucionais e decisões concentradas nos momentos finais do calendário legislativo. Embora haja divergência sobre os resultados e sobre o grau de avanço das pautas ao longo do ano, os parlamentares concordam que um ambiente político conturbado influenciou diretamente o funcionamento da Câmara e o ritmo das votações.


As avaliações sobre a presidência da Câmara dos Deputados, sob o comando de Hugo Motta (Republicanos), variam entre os deputados ouvidos. Parte da bancada aponta problemas na condução de pautas sensíveis e na tomada de decisões, enquanto outros destacam o papel do colégio de líderes, a relação com o governo federal e a expectativa de ajustes para 2026.

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Para o deputado Filipe Barros (PL), o desgaste enfrentado por Hugo Motta ao longo de 2025 tem origem no processo de sua eleição para a presidência da Câmara. Segundo ele, o presidente teria assumido compromissos incompatíveis com diferentes grupos políticos.


“Ele se comprometeu com o PL em pautar a anistia e se comprometeu com o PT em não pautar a anistia. Era óbvio que, em algum momento, isso ia gerar desgaste”, afirma Barros. “O que tem acontecido é que ele tem se desgastado com ambos os grupos. Tem desgaste com a esquerda, tem desgaste com a direita e até com os partidos de centro.”


Na avaliação do parlamentar, o presidente da Câmara precisará se posicionar com mais clareza em 2026. “O Hugo é um cara jovem e precisa, nesse segundo ano do mandato, decidir efetivamente de que lado ele está. Se continuar do jeito que está, vai intensificar o processo de desgaste.”


O deputado Luiz Carlos Hauly (Podemos) faz uma análise mais institucional da presidência da Câmara, comparando o estilo de Hugo Motta ao de seu antecessor, Arthur Lira (PP). “O Hugo Motta administra com o Colégio de Líderes. Ele tem um estilo diferente do Lira. O Lira impunha a agenda. O Hugo decide agenda com a maioria do Colégio de Líderes, que é composta pelo centro, centro-esquerda, centro-direita e direita”, pontua.


“Quando envolve pauta do governo, existe influência do presidente da República e da liderança do governo. O governo teve grande sucesso no Congresso graças à condução do Hugo Motta. Tudo o que o governo quis foi aprovado”, opina. “O governo não pode se queixar do Hugo Motta. Ele aprova o que o governo quer e depois o PT fala mal dele, e a extrema direita também... aprova o que quer e depois fala mal. Quem assume a presidência da Câmara está sempre na vitrine.”


O deputado Diego Garcia (Republicanos) evita personalizar a crítica, mas avalia que falhas na condução da Câmara marcaram o primeiro ano da atual presidência. Segundo ele, houve falta de decisão diante de temas sensíveis, fator que acabou ampliando o desgaste político.


“Na Câmara você sempre desagrada alguém, não tem jeito. Mas você precisa ter a capacidade de decidir. Acho que faltou isso para o presidente nesse primeiro ano”, diz Garcia, que espera que haja avanços em 2026.


A deputada Luísa Canziani (PSD) adota um tom mais cauteloso ao avaliar a atuação de Hugo Motta, destacando o contexto enfrentado pelo presidente da Câmara em seu primeiro ano no cargo. “Eu confio na capacidade do presidente Hugo de fazer os ajustes necessários. É a primeira vez que ele ocupa um cargo de liderança e gestão na Casa, em um ano completamente conturbado”, afirma Canziani.


Ela ressalta que a presidência começou em meio a disputas políticas intensas e embates institucionais. “Ele assumiu em um cenário de muita disputa política e também de embate entre governo e Congresso por orçamento. Acredito que ele vai conseguir fazer um 2026 melhor do que foi 2025.”


A deputada Lenir de Assis (PT) faz a crítica mais dura à atuação de Hugo Motta, atribuindo à presidência da Câmara responsabilidade direta pela priorização de projetos que considera prejudiciais à população.


“Lamentavelmente, nós tivemos muitos retrocessos, frutos de projetos da extrema direita, da direita e do centrão, como o enfraquecimento da legislação ambiental, a chamada PEC da devastação, e a PEC da blindagem”, afirma a parlamentar.


Para a deputada, a presidência da Câmara tem papel central nesse processo. “Existe uma pressão e, lamentavelmente, o Hugo Motta, que é o presidente da Câmara, cede a esses caprichos da extrema direita, do centrão e da direita e insiste em colocar esses projetos nefastos à vida do povo brasileiro em pauta”, pontua. “O presidente Hugo Motta, que lá atrás teve apoio de praticamente todas as bancadas, hoje tem um lado. E, lamentavelmente, esse lado não é o do interesse do povo trabalhador.”


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Lenir também associa a atuação do presidente da Câmara ao avanço da pauta da anistia. “Ele facilita a aprovação desses projetos, como a anistia, que beneficia os condenados pelos atos de 8 de janeiro e milhares de outras pessoas, permitindo que deixem de cumprir suas penas.”


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