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Vereadores de Londrina rejeitam pedido de cassação de Anne Moraes

Jéssica Sabbadini - Redação Bonde
26 jun 2026 às 15:03

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Foto: Fernando Cremonez / CML
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A Câmara Municipal de Londrina rejeitou, nesta sexta-feira (26), o pedido de cassação da vereadora Anne Moraes (Avante), conhecida como Anne Ada. Acusada de quebra de decoro parlamentar por supostamente manter advogados nomeados em cargos comissionados no gabinete enquanto eles atuavam em sua defesa em processos particulares, a parlamentar permaneceu no cargo após a denúncia não alcançar os 13 votos necessários para a perda do mandato. Foram 11 votos favoráveis à cassação, seis contrários e uma abstenção.

Ao fim da sessão, que durou pouco mais de duas horas, Anne Ada evitou falar com a imprensa. Em uma breve declaração, afirmou que "a justiça foi feita" e disse que pretende comprovar sua inocência nos processos que ainda enfrenta. A vereadora também agradeceu o apoio recebido e afirmou que sua trajetória política não será apagada pelas acusações.

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A defesa sustentou que não houve irregularidade na atuação dos assessores. O advogado Maurício Carneiro argumentou que a Câmara não possui norma específica sobre o cumprimento da jornada de trabalho dos servidores comissionados e afirmou que protocolar petições em favor da vereadora não configura crime nem infração administrativa. Segundo ele, os depoimentos colhidos durante a Comissão Processante demonstraram que Anne Ada jamais determinou práticas ilegais ou antiéticas aos servidores do gabinete.

Carneiro afirmou ainda que a parlamentar retomará normalmente as atividades após o fim do atestado médico, previsto para encerrar no dia 30. Apesar da absolvição política, disse que orientará a vereadora a manter uma postura de maior diálogo e cautela no exercício do mandato.

O presidente da Câmara, Emanoel Gomes (Republicanos), que votou contra a cassação, afirmou que a perda de mandato deve ocorrer apenas quando houver fundamentos suficientes. Segundo ele, pesaram em sua decisão a ausência de prejuízo ao erário e a flexibilidade da jornada dos servidores comissionados. O parlamentar informou que pretende conversar com Anne Ada antes de seu retorno às atividades e defender uma atuação mais responsável da vereadora dentro da Casa.

Com a rejeição do pedido de cassação, o processo será arquivado e a decisão comunicada à Justiça Eleitoral. Emanoel Gomes avaliou que a votação transcorreu de forma respeitosa e sem interferências políticas, destacando a condução dos trabalhos durante a sessão.

Como votaram os vereadores


Pela cassação (11): Deivid Wisley (Novo), Giovani Mattos (Avante), Jessicão (PL), Lenir de Assis (PT), Marcelo Oguido (PL), Matheus Thum (PP), Michele Thomazinho (PL), Professora Flávia Cabral (PP), Régis Choucino (PP), Roberto Fú (PL) e Santão (PL).

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Contra a cassação (6): Antônio Amaral (PSD), Chavão (Republicanos), Emanoel Gomes (Republicanos), Marinho (PL), Sidney Matias (Avante) e Valdir Santa Fé (PP).


Abstenção: Mestre Madureira (PP).


Sessão de julgamento


A sessão começou pouco depois das 9h, com a chegada de Anne Ada minutos após a abertura dos trabalhos. Antes da votação, quatro vereadores utilizaram o tempo regimental para defender seus posicionamentos. Lenir de Assis afirmou que o julgamento dizia respeito aos fatos investigados, enquanto Jessicão ressaltou que parlamentares respondem pelos atos praticados por seus assessores. Santão declarou que definiria seu voto somente após ouvir a acusação e a defesa, e Antônio Amaral disse ter analisado todo o relatório antes de tomar sua decisão.


A sustentação oral da defesa teve início às 10h43 e durou cerca de 20 minutos. Na sequência, os vereadores votaram nominalmente, respondendo apenas "sim", "não" ou "abstenho". Em poucos minutos, o resultado confirmou o arquivamento da denúncia e a permanência de Anne Ada no cargo.

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*Colaborou Fabriccio Lucas (estagiário), sob supervisão dos editores Claudemir Scalone, Lucília Okamura e Patrícia Alves.

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