Em agenda política no Norte do Paraná, a jornalista e pré-candidata ao Senado Cristina Graeml (PSD) está em Londrina nesta sexta-feira (17) para visitar a 64ª edição da ExpoLondrina. Apontada por apoiadores como uma alternativa à política tradicional, ela destacou como prioridade, caso seja eleita, o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), incluindo Alexandre de Moraes.
Segundo Graeml, há uma cobrança popular por mudanças drásticas no Senado, que, para ela, é visto com maus olhos por não corresponder às demandas conservadoras do país.
“A população anseia por mudanças no Senado porque eles não promovem o impeachment de ministros do STF, que abusam de autoridade e julgam no tribunal errado. É uma pauta de Brasil, mas os paranaenses também querem. Vou ser uma das vozes no impeachment de Alexandre de Moraes. Os fiscais do judiciário são os senadores”, salientou, em entrevista ao Portal Bonde.
A pré-candidata afirmou que uma das suas principais propostas é adotar uma atuação municipalista, ou seja, aproximar a segunda casa do Legislativo Federal do Executivo regional. A jornalista também defendeu a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro como prioridade.
“O Senado atual está sendo visto pela população como um dos responsáveis pela situação do Brasil atual, onde as pessoas estão sendo julgadas e condenadas sem direito a defesa e a recursos. Falo especificamente sobre o 8 de janeiro.”
Entrada na política
Sem histórico anterior em disputas eleitorais, Graeml disse que sua entrada na política em 2024 foi motivada estritamente por apoio popular. Desde então, ela trocou de partido três vezes, saindo do PMB (Partido da Mulher Brasileira) - hoje Democrata - para o Podemos, depois União Brasil e PSD.
“Para quem olha de fora, parece que foi planejada essa mudança de partido, como se eu tivesse procurado um partido maior, mas não foi assim. A minha candidatura à prefeitura de Curitiba foi totalmente orgânica. Em 2023, fui procurada por muitas pessoas, mas não tinha apoio de partidos políticos”, relembrou.
Ela disputou a prefeitura de Curitiba pelo então PMB. Segundo ela, não havia estrutura tradicional de campanha, já que o partido era considerado “nanico”.
“Não tinha marqueteiro. Fazia tudo do celular. Fui a primeira mulher a conseguir ir para o segundo turno na capital”, afirmou. No pleito, obteve quase 400 mil votos, cerca de 42% dos válidos, mas foi derrotada por Eduardo Pimentel (PSD) no segundo turno.
Articulações
Após a eleição municipal de 2024, Graeml deixou o PMB e voltou ao jornalismo, sendo posteriormente procurada por siglas maiores. Em 2025, filiou-se ao Podemos, com apoio de Álvaro Dias, já visando a disputa ao Senado. Ela relatou, porém, ter enfrentado dificuldades internas.
“Mesmo usando dinheiro próprio e de apoiadores para esse esforço, ouvi que o Podemos já havia ligado para todos os prefeitos que visitei e dito que eu não teria legenda. Percebi que estava havendo um boicote interno. Isso me fez migrar para o União Brasil, na época presidido pelo senador Sergio Moro.”
A mudança não foi certeira. De acordo com ela, houve novo impasse com a saída de Moro da sigla em direção ao PL de Bolsonaro. “No meio da janela partidária, fui abandonada por Moro”, disse. Sem espaço, acabou migrando para o PSD, a convite do próprio governador do Paraná, Ratinho Junior.
Vice-governadora
No PSD, Cristina afirmou ter recebido abertura para finalmente construir sua candidatura. Entretanto, Ratinho Junior pediu a ela que considerasse a possibilidade de se tornar o segundo nome na chapa com Sandro Alex (PSD), que concorrerá ao governo do estado.
“O governador disse que me queria no capital político dele porque eu poderia somar, mas pediu para eu abrir os olhos para uma possibilidade de ser candidata a vice-governadora, porque até agora isso não foi definido e poderia ser eu. Respondi que nunca havia pensado nisso, mas que estava aberta.”
Apesar da possibilidade, ela reforçou que segue focada no Senado, cargo pelo qual briga - interna e externamente - desde 2024 para assumir.
“A possibilidade pode se concretizar, mas não porque eu cedi à pressão de quem quer que seja para deixar de tentar o Senado. Sou a única candidata mulher de direita. É uma opção para o eleitorado”, garantiu.
Graeml citou alinhamento com lideranças políticas de Londrina. A FOLHA mostrou que o ex-prefeito do município, Marcelo Belinati (PP), está sendo um dos nomes cotados para ser vice na chapa de Rafael Greca (MDB). Segundo a jornalista, não há qualquer problema com o político londrinense.
“Belinati tem o meu respeito. Nós já conversamos. Temos total alinhamento de pensamento, tanto que o considero como um dos que me apoiaram para essa jornada ao Senado. Dependendo da composição, terá o meu pleno apoio”, afirmou.
Relação com o PL e Flávio Bolsonaro
Graeml comentou sua relação com o PL e o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à presidência da República. De acordo com ela, houve um convite especial do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para que ela integrasse o partido, mas sem garantia de candidatura ao Senado. Recentemente, entretanto, o filho mais velho de Bolsonaro desaprovou a corrida da jornalista pela vaga no legislativo contra Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL), nomes já definidos pela coligação para ocupar as duas vagas pelo Paraná.
“O Flávio sabe que é um pedido do próprio pai dele e sabe também que pode contar com o meu apoio, porque vou colaborar com o governo dele”, disse. Ela minimizou as divergências. “Não vejo como crítica o que Flávio falou sobre mim. Vi como alguém que está analisando tudo por meio do universo político-partidário. Ele está defendendo os candidatos da coligação dele. Tive uma reunião a sós com o Flávio em Brasília, momento em que expliquei o apelo popular da minha candidatura. Citei as pesquisas, que me posicionavam em primeiro lugar. Por que eu abriria mão disso, sendo que sou apoiadora dele? Ele entendeu e agradeceu”, esclareceu Graeml.
Ela ainda garantiu que recebeu liberdade para manter esse apoio a Flávio nas eleições, mesmo estando no PSD, que deve lançar Ronaldo Caiado (PSD) à presidência. “Ratinho deu carta branca para eu seguir apoiando o Flávio, mesmo que haja o Caiado.”
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