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Câmara de Mariluz pode cassar padre Adelino amanhã

Vânia Moreira - Folha de Londrina
07 jun 2001 às 10:25

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A Câmara de Mariluz (35 quilômetros a Sudeste de Umuarama) vota amanhã o pedido de cassação do prefeito e padre licenciado Adelino Gonçalves (PMDB). Ele é acusado de falta de decoro por ter seu nome envolvido num crime. O prefeito está preso há 45 dias em Curitiba, acusado de mandar matar o vice-prefeito Aires Domingues e o presidente do PPS, Carlos Carvalho, o Carlinhos Gordo, assassinados a tiros dia 28 de fevereiro. O relatório da Comissão Processante, criada para investigar as denúncias, pede a cassação.

O presidente da Câmara, José Roberto de Souza (PFL) já pediu policiamento reforçado. Uma grande número de pessoas deve comparecer à Câmara e são esperadas manifestações dos grupos favoráveis e contrários ao padre. Para cassar o prefeito serão necessários 6 dos 9 votos. A sessão começa às 9 horas. A defesa do prefeito será feita por um advogado nomeado pela Câmara. Segundo os vereadores, padre Adelino foi intimado pessoalmente, mas não quis se defender no processo de cassação.

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O advogado do prefeito, Cláudio Daledone Júnior, alega não ter sido intimado. Ele ingressou com um mandado de segurança no Fórum de Cruzeiro do Oeste pedindo o cancelamento da sessão, mas o juiz indeferiu o pedido. Padre Adelino se licenciou por 90 dias e o presidente da Câmara, Benedito Costa (PPB) assumiu o cargo. Se o prefeito for cassado, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) terá de convocar novas eleições.


Em entrevista ontem a uma emissora de rádio de Umuarama, o ex-secretário de Ação Social de Mariluz, Élcio Farias, classificou como manobra dos advogados de defesa do padre as denúncias de que Carlinhos Gordo tinha um dossiê com denúncias contra ele e que teria feito ameaças ao presidente do PPS. A denúncia foi feita pelo ex-diretor de compras da prefeitura, Alexsandro do Nascimento, também preso sob suspeita de envolvimento no crime, e testemunhas de defesa do padre.

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Farias disse que durante os cinco anos que presidiu o Sindicato dos Trabalhadores de Rancho Alegre não cometeu nenhuma irregularidade. "Nem sabia se Carlinhos estava ou não me investigando. Querem criar um motivo para pôr a culpa em mim e livrar o padre. Mesmo que eu tivesse motivo, não teria dinheiro para contratar um pistoleiro, basta analisar minha situação financeira", defendeu-se. Os dois políticos foram mortos pelo ex-policial militar José Lucas Gomes, preso em Umuarama.


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