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Sem provas

Milei endossa tese de bolsonaristas de que ONGs bancaram fraude eleitoral no Brasil

Folhapress
22 fev 2025 às 15:41

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Reprodução/YouTube
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O presidente da Argentina, Javier Milei, endossou neste sábado (22) a tese difundida sem provas por apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) de que ONGs americanas financiaram "fraudes eleitorais no Brasil".


A acusação que tem na mira a Usaid, entidade alvo de ataques e desmonte do presidente Donald Trump, não tem embasamento fático, mas se tornou uma narrativa da direita e tem servido para movimentar as bases do republicano e de Bolsonaro.

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Ao discursar durante a Cpac, maior conferência conservadora do mundo, Milei reforçou a teoria.


"As múltiplas ONGs, que vivem dos nossos impostos, dos subsídios à cultura para produzir propaganda e aqui nos Estados Unidos, o escândalo da Usaid, que destinava milhões de dólares dos pagadores de impostos para financiar revistas e canais de televisão, fraudes eleitorais como no Brasil ou governos com aspirações discriminatórias como o da África do Sul", afirmou.

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"Entre tantas outras aberrações, incluindo a agenda de paranoia climática, os excessos da ideologia de gênero e a pesquisa que resultou na criação do vírus da Covid-19", reclamou Milei, que foi bastante aplaudido pela plateia conservadora.


O mote de que houve fraude nas eleições foi usado por Bolsonaro antes mesmo de perder a disputa em 2022, para tentar contornar sua derrota, o mesmo que fez Trump, ao ser derrotado em 2020.

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Nas últimas semanas, Trump mandou cortar as verbas à Usaid e determinou que seus funcionários entrassem em licença. Enquanto isso, bolsonaristas e trumpistas aproveitaram para promover nas redes o discurso ligando a agência a um falso esquema que envolveria o presidente Lula (PT) e o democrata Joe Biden.


A Usaid foi fundada em 1961 pelo presidente John F. Kennedy e oferece auxílio financeiro a nações estrangeiras, como na implementação de programas de saúde e no socorro a catástrofes.

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Criada durante a Guerra Fria, também foi parte de uma estratégia de "soft power" para promover uma imagem positiva dos Estados Unidos.


Como mostrou a Folha, o caso da Usaid chegou ao Brasil depois de uma conversa de vídeo gravada entre o ideólogo Steve Bannon, antigo conselheiro de Trump, e Mike Benz, ex-funcionário do Departamento de Estado e diretor de uma ONG contra a censura.

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No vídeo, Benz afirmou que a agência gastou "dezenas de milhares de dólares" financiando projetos que pressionaram pela aprovação de leis contra a desinformação no Congresso brasileiro. Ele também acusou a Usaid financiou advogados que atuaram junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para reprimir tuítes e mensagens de Bolsonaro em aplicativos como o WhatsApp.


Depois, bolsonaristas passaram a difundir a tese, alcançando amplo engajamento nas redes. O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), responsável pelo principal post sobre o caso no Brasil, reforçou o discurso durante a participação na Cpac nesta semana.

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