As águas do balneário turístico de Mar del Plata, na Argentina, parecem ter sido tingidas com sangue desde sexta (21), assustando turistas e banhistas locais que passam pela região.
Fenômeno conhecido como "arribazón" é causado por algas. Segundo a MetSul Meteorologia, a coloração do mar muda quando grandes quantidades de algas vermelhas são desprendidas do fundo do oceano e levadas até a superfície por correntes marítimas intensas.
Tempestades, fortes ventos e envelhecimento natural dessas plantas contribuem para que uma "arribazón" aconteça em maior escala. O Inidep, Instituto Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Pesqueiro da Argentina, já havia registrado o início da chegada das algas a Mar del Plata em dezembro.
Ondas intensas, com marés altas superiores a 1,5 metro, além de ventos predominantes de leste e nordeste, provocaram os primeiros deslocamentos de algas. Pelo menos 17 espécies das algas vermelhas foram registradas na primeira "onda vermelha", que incomodou surfistas da região na área de arrebentação.
As mais presentes são as do grupo Rhodophyta, Anotrichium furcellatum e Callithamnion sp. No entanto, vieram também algas verdes do grupo Chlorophyta, Bryopsis plumosa. Todas elas são comuns na costa de Mar del Plata.
MUDANÇAS CLIMÁTICAS PODEM SER "CULPADAS"
Nem sempre foi assim. A Anotrichium furcellatum é uma espécie exótica, segundo o Inidep, e foi detectada pela primeira vez nas costas da província de Buenos Aires em 1997, mas hoje já está estabelecida na região. Desde então, as visitas da "arribazón" parecem ter ficado mais intensas e frequentes; o último episódio em grande escala aconteceu em agosto.
Fenômeno é natural e cíclico na região, mas seu crescimento pode estar relacionado às mudanças climáticas. Ainda de acordo com a MetSul, o aumento da temperatura do mar e as mudanças nos padrões dos ventos podem influenciar a frequência e a intensidade da visita das algas.
A arribazón incomoda principalmente pelo cheiro desagradável. As algas exalam um odor forte ao entrarem em decomposição acumuladas na faixa de areia, especialmente em dias de calor intenso como os recentes. Mar del Plata tem registrado temperaturas superiores a 34ºC e sensação térmica por volta dos 40ºC na última semana.
Além disso, é necessário atravessar uma extensa camada de "teias de algas" para chegar às áreas mais limpas. Algumas partes do litoral parecem totalmente cobertas pelas algas.
Algas devem ser retiradas naturalmente pelas marés e ventos, como em outras ocorrências da arribazón. O tempo vai "virar" nos próximos dias em Mar del Plata e é esperado que os ventos fortes restaurem, ao menos parcialmente, a paisagem tradicional da região.
Mesmo assim, em Playa Varese e Necochea, autoridades têm investido no uso de pás mecânicas e caminhões para minimizar a presença das plantas nas águas e evitar que o fenômeno espante os turistas -uma preocupação dos comerciantes da região. As plantas são transportadas para locais de descarte apropriados.
É PERIGOSO IR À PRAIA?
Apesar da coloração visualmente impactante, os especialistas garantem que estas algas não são tóxicas. Mesmo assim, recomendam evitar o contato direto com elas e não ingeri-las.
A arribazón não é o mesmo que a "maré vermelha". O fenômeno bastante frequente no Nordeste brasileiro que também causa coloração avermelhada no mar é provocado pela proliferação de microalgas tóxicas, capazes de causar danos à vida marinha e à saúde humana. Já no caso da arribazón, a cor não é provocada por algas tóxicas, mas pelas inofensivas.
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