A 5ª Vara Criminal de Londrina aceitou a denúncia do MPPR (Ministério Público do Paraná) contra a vereadora Anne Moraes (Avante), que se tornou ré por maus-tratos, poluição e tráfico de medicamentos enquanto esteve à frente da ADA (Associação Defensora dos Animais). A instituição está sob intervenção da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) por determinação judicial desde maio de 2025.
A investigação da promotora Révia de Paula Luna, da 20ª Promotoria de Justiça, aponta que as práticas ilícitas teriam ocorrido entre 24 de janeiro de 2019 e 13 de maio de 2025, período em que a ADA foi administrada pela vereadora, eleita em 2024 sob a bandeira da causa animal.
A denúncia pede a responsabilização de Anne por maus-tratos coletivos contra 800 cães e 240 gatos; maus-tratos com resultado de morte contra seis gatos; maus-tratos individualizados contra 31 gatos; maus-tratos com resultado de morte contra 31 cães; maus-tratos individualizados contra 16 cães; poluição por lançamento irregular de resíduos sólidos, por enterrar 22 carcaças de animais; descumprimento de obrigação de relevante interesse ambiental, pela ausência de PGRS (Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos); e tráfico de drogas, por armazenar irregularmente 103 ampolas de morfina, seis ampolas de fenobarbital e 69 comprimidos de tramadol.
Com o recebimento da denúncia pela Justiça, o próximo passo será a análise das medidas cautelares solicitadas pelo MPPR contra a vereadora, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de manter a guarda de animais, a entrega imediata de animais sob seus cuidados e a proibição de se aproximar da nova sede da ADA.
“São 91 fatos e procuramos descrever ponto a ponto para não deixar dúvida. Está absolutamente ilustrado com fotos, com todos os laudos, tudo o que foi necessário para a comprovação dessa materialidade”, disse Luna em coletiva de imprensa no dia 6 de abril, após protocolar a denúncia.
Além das medidas cautelares, o MPPR pediu a fixação de indenização mínima de R$ 1.479.911,02, referente aos valores destinados à manutenção dos animais que sobreviveram aos maus-tratos.
A reportagem procurou a defesa de Anne e solicitou uma posição sobre a denúncia, mas não houve retorno até o fechamento deste texto. A vereadora sempre negou as acusações e, em coletiva no dia 7 de abril, logo após a abertura de uma CP (Comissão Processante) na CML (Câmara Municipal de Londrina) para apurar o suposto uso de assessores parlamentares como advogados particulares, aproveitou para se defender. Ela alegou que houve omissão do poder público no caso da ADA.
“Eu tenho como provar a minha inocência e que eu pedi ajuda para aqueles animais que estavam sofrendo junto comigo. Eu não abandonei eles nenhuma vez. Eu fiquei com eles até o último momento para chamar a atenção da sociedade, do poder público, que foi omisso e deveria ter assumido aquilo lá desde o começo. Eu assumi porque existia um buraco na sociedade, que ninguém fazia nada e eu fiz o que eu podia, dentro do que eu podia. Não foi suficiente e eu assumo que não foi, mas não é certo colocar essa responsabilidade nas costas de uma única pessoa. Se eu fui errada, todo mundo foi errado junto comigo”, disparou.
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