Mais de 20 mil estudantes passaram pela UEL (Universidade Estadual de Londrina) nesta quarta-feira (1º) para participar da tradicional Feira de Profissões. Vindos de diversas cidades do Paraná e também de estados como São Paulo e Mato Grosso do Sul, os visitantes tiveram a oportunidade de conhecer de perto os 53 cursos de graduação oferecidos pela instituição, em um dia marcado por descobertas, dúvidas, expectativas e decisões sobre o futuro.
Os centros de estudos receberam milhares de jovens interessados em entender melhor a rotina universitária antes de prestar o vestibular. Para muitos, a feira representa o primeiro contato com o ambiente acadêmico e ajuda a confirmar — ou até mudar — os planos para a carreira.
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Foi o caso de um estudante de 16 anos, de Apucarana, que ainda cursa o segundo ano do ensino médio. Sem uma escolha definitiva, ele aproveitou a visita para conhecer diferentes áreas, embora as ciências biológicas estejam entre as favoritas. Segundo o jovem, conversar com universitários e visitar os laboratórios torna a decisão mais concreta. O irmão, que estuda química na UEL, também influencia a escolha.
No Cefe (Centro de Educação Física e Esportes), um dos espaços mais movimentados da feira, os visitantes eram recebidos com música, atividades esportivas e muita animação. A estratégia, organizada pelos próprios estudantes, buscava apresentar o curso de forma acolhedora, sem esconder os desafios da graduação.
Acadêmica do segundo ano de Educação Física, Yara de Freitas, de 19 anos, contou que a recepção calorosa foi determinante quando ela participou da feira pela primeira vez. Hoje, faz questão de repetir a experiência para quem sonha ingressar na universidade.
Apesar do clima descontraído, ela ressalta que a formação exige dedicação em disciplinas como anatomia, biologia e outras áreas da saúde. "A gente quer mostrar que o curso também é divertido, mas sem deixar de lado a responsabilidade da profissão", afirma.
Entre os visitantes estava um estudante de 17 anos, de Rolândia, decidido a cursar Educação Física. Apaixonado por musculação, ele pretende trabalhar como personal trainer e diz estar preparado para enfrentar tanto as aulas práticas quanto a carga teórica da graduação.
Ao lado do Cefe, o Ceca (Centro de Educação, Comunicação e Artes) também chamou a atenção pela diversidade de atividades. Alunos de Jornalismo apresentavam equipamentos utilizados na profissão; estudantes de Artes Cênicas circulavam caracterizados; e o curso de Artes Visuais expunha trabalhos produzidos ao longo da graduação. Na praça do centro, uma encenação envolvendo dinossauros divertia o público e atraía curiosos.
Aluno do terceiro ano do Colégio Estadual Vicente Rijo, em Londrina, Alexandro Junior, de 18 anos, afirmou que a dimensão da feira superou suas expectativas. Já decidido a seguir carreira na Educação Física por causa da paixão pelo futebol, ele destacou a variedade de cursos e o contato direto com os universitários como os principais diferenciais do evento.
"A UEL é um sonho. É muito bom conhecer um lugar onde você pode estudar aquilo que realmente gosta", comentou.
A feira também recebeu caravanas de outros estados. De Marília (SP), Lívia Gomes, de 18 anos, percorreu diferentes centros antes de confirmar que pretende prestar Arquitetura e Urbanismo. Segundo ela, conhecer os projetos desenvolvidos pelos estudantes aumentou ainda mais a vontade de seguir na área.
Caso seja aprovada no vestibular, a jovem pretende se mudar para Londrina. Ela cita a proximidade entre as cidades e o custo de vida mais acessível em relação ao interior paulista como fatores que pesam na decisão. Paralelamente, também disputará uma vaga na USP.
Prima de Lívia, Laura Polyana dos Santos, também de 18 anos, participou da visita com outro objetivo. Interessada em cursar Direito, ela sonha em ingressar na carreira policial por meio de concurso público. Durante o passeio, destacou a estrutura da universidade, a arborização do campus e a convivência entre estudantes de diferentes áreas como aspectos que mais chamaram sua atenção.
Outro espaço bastante procurado foi o curso de História. Responsável por apresentar a graduação aos visitantes, o estudante Henrique da Silva Fontolan, de 19 anos, explicou que a proposta foi aproximar o público da disciplina de maneira interativa.
A programação incluía uma vitrola tocando discos de época, atividades de paleografia, um quiz sobre personalidades históricas e exposições sobre a história de Londrina, desde a colonização promovida pela Companhia de Terras Norte do Paraná até a Geada Negra de 1975, além de conteúdos sobre o Londrina Esporte Clube e as conquistas da Seleção Brasileira nas Copas do Mundo.
"Quem ainda está em dúvida pode escolher História", brincou o universitário. Em seguida, completou: "No fim das contas, toda profissão passa pela história."
A professora Valquíria Nascimento acompanhou cerca de 200 alunos do Colégio 11 de Outubro, de Cambé, durante a visita. Para ela, proporcionar esse contato com a universidade é uma forma de incentivar os estudantes a valorizarem a educação e ampliarem suas perspectivas profissionais.
"Nós precisamos mostrar aos jovens que a educação transforma vidas. É por meio dela que construímos uma sociedade melhor, com profissionais mais preparados e mais oportunidades para todos", destacou.