Torcedor fanático do LEC (Londrina Esporte Clube), Kauan Santos de Moraes, de 18 anos, pede ajuda para conseguir fazer uma cirurgia de urgência no HU (Hospital Universitário) de Londrina. Com necessidades especiais por ser PcD (Pessoa com deficiência), ele precisa retirar um tumor benigno no ouvido, diagnosticado há cerca de um mês, mas segue na fila de espera do SUS (Sistema Único de Saúde) enquanto enfrenta dores, infecções e perda progressiva da audição.
Segundo a mãe, Derci Santos, de 48 anos, os problemas começaram há seis meses, quando Kauan passou a apresentar uma infecção persistente no ouvido, com vazamento de pus e forte odor. Ele foi atendido no HU e permaneceu por cerca de 30 dias em tratamento com antibióticos, sem apresentar melhora.
Diante da gravidade do quadro, a família procurou a imprensa. Somente após a repercussão, Kauan passou por uma primeira cirurgia de urgência, na qual foi colocado um dreno no ouvido. Durante o procedimento, os médicos fizeram uma biópsia que confirmou a presença do tumor. Desde então, no entanto, o jovem voltou a aguardar na fila do SUS para a cirurgia definitiva.
“Ele sente muita dor e o ouvido continua vazando. Fui ao posto de saúde perguntar se havia alguma novidade e disseram que não. Ele é uma criança especial, não tem como esperar tanto tempo. A doença está avançando e ele já está perdendo a audição”, relata a mãe, em entrevista ao Portal Bonde.
Derci afirma que questionou a equipe médica sobre as consequências da demora no tratamento e foi informada que o ouvido já está comprometido, sem expectativa de recuperação total, já que o tumor continua crescendo. A primeira cirurgia aconteceu há cerca de dois meses.
Luta desde o nascimento
Kauan tem histórico de diversas cirurgias e condições de saúde desde o nascimento. Derci conta que teve pré-eclâmpsia durante a gestação e, desde então, a família enfrenta uma longa trajetória de cuidados médicos. O jovem já passou por cirurgias no quadril e na coluna e, há três anos, colocou cerca de 30 pinos na coluna.
"Eu tive pré-eclampsia durante o nascimento dele. De lá para cá, estamos na luta. Ele já fez cirurgia de quadril, coluna e agora vem esse tumor. Ele se arrasta no chão, mas consegue subir na cadeira e consegue certa independência. Ele entende tudo o que a gente fala e eu também o entendo", explica a mãe.
Paixão pelo Tubarão
Morador do Jardim São Vicente Palotti (Zona Leste), Kauan é conhecido entre os torcedores do Tubarão. O primeiro jogo que assistiu no estádio foi em 2013, em uma partida contra o Paranavaí. Desde então, passou a marcar presença constantemente nas arquibancadas. "A Falange Azul o abraçou. Chegou a ser o mascote do clube e ficar bem conhecido. Ele é muito fanático", diz Derci.
Segundo ela, o pedido de ajuda não tem motivos financeiros. A família busca, apenas, vencer mais uma "batalha" na vida do jovem, que não para de "lutar" desde o nascimento. “Muita gente nos procura achando que é por dinheiro, mas não é isso. A gente só quer chamar a atenção da direção do HU para que essa cirurgia seja liberada o quanto antes”, afirma.
A reportagem entrou em contato com o HU para perguntar sobre previsões para a cirurgia de Kauan e informou que o paciente compareceu acompanhado de familiar em consulta ambulatorial recentemente, no dia 8 de janeiro de 2026, no Ambulatório de Especialidades do HU, sendo atendido pela especialidade de Otorrinolaringologia.
Segundo a nota enviada à reportagem, o paciente já fez exames de imagem e biópsia e o hospital aguarda documentações para dar sequência à cirurgia.
"Toda a documentação necessária para a emissão da AIH (Autorização de Internação Hospitalar), com vistas à realização de procedimento cirúrgico, já foi providenciada. No momento, a equipe aguarda a devolutiva da tramitação para posterior convocação do paciente. Durante a consulta, a equipe médica prestou as devidas orientações aos familiares, incluindo a recomendação de procurar o Pronto-Socorro do HU-UEL em caso de qualquer sinal de alerta no quadro clínico."