Após dias de indefinição, o prefeito Tiago Amaral (PSD) confirmou, nesta terça-feira (3), que a recomposição inflacionária de 4,3% será paga em parcela única aos servidores municipais. O percentual corresponde ao INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulado entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026.
Até a última segunda-feira (2), o martelo não havia sido batido sobre a forma de pagamento da compensação das perdas inflacionárias, uma das principais pautas da categoria. Durante a discussão do orçamento, no segundo semestre de 2025, o parcelamento do percentual chegou a ser cogitado, mas a administração confirmou que isso não ocorrerá.
A definição ocorreu em reunião realizada nesta terça-feira com o Sindserv (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina). O Executivo vai enviar um projeto de lei à CML (Câmara Municipal de Londrina) nos próximos dias. O texto precisa ser aprovado e sancionado ainda em março para que o índice seja aplicado nos salários deste mês, com efeitos retroativos a fevereiro, data-base do funcionalismo. O impacto orçamentário-financeiro é estimado em R$ 53 milhões, e a tendência é que sejam contemplados todos os servidores municipais, além de secretários, prefeito e vice-prefeito.
“Essa era uma grande preocupação, um grande debate, uma grande discussão. Todo mundo sabe das dificuldades financeiras, dos enfrentamentos que a gente tem tido com o caixa do município. Mas uma coisa, para mim, está clara: precisamos de todos os servidores absolutamente comprometidos, não com a gestão, mas, mais do que nunca, com a cidade de Londrina e com os projetos que estamos fazendo”, afirmou Tiago.
O presidente do Sindserv, Fábio Molin, ressaltou que a recomposição da inflação “é a questão básica do servidor” e lembrou que há outras demandas da categoria, como a regularização da licença-prêmio.
A confirmação do pagamento repercutiu na Câmara. A líder do governo, vereadora Flávia Cabral (PP), que também participou da reunião, afirmou em plenário que o pagamento de 4,3% “é a reafirmação de um compromisso com o respeito e a justiça fiscal”.
A data-base dos servidores vem sendo discutida desde o segundo semestre de 2025, por ocasião da votação das peças orçamentárias. Em sua versão original, o PPA (Plano Plurianual) 2026-2029 trazia a possibilidade de parcelar a recomposição em fevereiro e setembro; após mobilização da categoria, a administração alterou o texto.
"A conquista é resultado de uma luta construída com responsabilidade e firmeza pelo Sindserv. Desde o ano passado, a entidade vem demonstrando, por meio de estudos técnicos e análise orçamentária, a viabilidade do pagamento da reposição em parcela única", disse em nota o sindicato.
E na CML?
Desde a semana passada, quando houve o arquivamento do PL (Projeto de Lei) 56/2026, que previa a recomposição de 4,3% para os servidores da CML e para os 19 vereadores, não há sinalização de quando o novo texto, prevendo o reajuste apenas para os funcionários do Legislativo, será protocolado pela Mesa Executiva.
O PL 56/2026 chegou a ser aprovado em primeiro turno, mas a apresentação de uma emenda da vereadora Michele Thomazinho (PL), para excluir os parlamentares do reajuste, acabou levando à retirada do projeto. Houve um racha entre os 12 vereadores favoráveis à matéria na primeira votação, e o presidente da Casa, Emanoel (Republicanos), disse que não permitiria que “o pessoal ficasse fazendo politicagem em cima desse projeto”.