Animal abandonado
Após uma assembleia na tarde desta quarta-feira (1º), os professores e professoras da UEL (Universidade Estadual de Londrina) optaram por suspender o estado de greve e seguir com as negociações de reivindicação da reposição salarial. Em decisão “quase unânime”, os docentes criticaram o reajuste de 5% aprovado pela Alep (Assembleia Legislativa do Paraná) na última terça-feira (31), classificando a proposta como “insignificante” e “uma afronta ao funcionalismo público”.
Em nota, o Sindiprol/Aduel/Andes-SN afirmou que o percentual e a forma como o tema foi conduzido configuram uma “medida eleitoreira” por parte do governo, que teria trazido o debate “no último minuto como estratégia para desmobilizar a categoria”.
O comunicado mantém o tom crítico ao apontar falta de diálogo com os servidores na atual gestão e relembra a influência da greve na aprovação da última reposição salarial, em 2023.
“Em oposição ao discurso oficial, esse governo ficará marcado na história como o promotor de uma profunda fragmentação das carreiras dos servidores estaduais, ampliando as disparidades salariais, terceirizações e a precarização dos trabalhadores”, afirma o sindicato.
Durante o debate, os professores defenderam o desenvolvimento de estudos para avaliar o impacto que as recentes mudanças na educação paranaense provocaram no plano de carreira dos profissionais.
“Salientou-se a necessidade [...] da retomada do Grupo de Trabalho (GT) sobre a carreira docente [...] São essenciais para a construção de pontos de unidade das lutas do funcionalismo”, conclui.
Outra organização que se posicionou de forma contrária à medida foi a APP-Sindicato, que também considerou o reajuste abaixo do esperado. Questionado sobre o tema, o governador Ratinho Junior afirmou que a medida integra seu projeto de gestão e tem impacto financeiro estimado em R$ 1,3 bilhão ao ano. O texto da lei, encaminhado pelo Governo do Estado, deve começar a alterar os salários de 237 mil servidores a partir do próximo mês.