A Prefeitura de Londrina ainda tem R$ 83 milhões em despesas remanescentes do exercício de 2025 que precisam ser pagas. A informação foi confirmada pelo secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Tecnologia, Marcos Rambalducci, que integra um comitê de gestão instituído para analisar a situação econômico-financeira do município e estabelecer a “racionalização eficiente de custos e priorização de despesas”, conforme o decreto que criou o grupo.
Desde o início da gestão do prefeito Tiago Amaral (PSD), o contingenciamento das verbas de custeio se tornou uma realidade diante de gastos que não estavam previstos no orçamento. O principal problema foi o subsídio do transporte coletivo, que gerou déficit superior a R$ 100 milhões. Segundo Rambalducci, ainda há débitos nessa área.
“Nós temos R$ 83 milhões que são os chamados restos a pagar, que ficaram do ano passado e estão sendo pagos neste ano, divididos em várias contas”, afirma o secretário, que ressalta que o cenário econômico do município ainda é “muito desafiador”.
O orçamento estimado para 2026 é da ordem de R$ 3,8 bilhões, cerca de 9,35% maior que o montante do ano anterior. Mesmo assim, o discurso da administração é o de que não há “folga” nas contas públicas.
“Não está diferente do ano passado, porque nós ainda temos a possibilidade de frustração de receita, seja porque o IPVA não está vindo na totalidade que gostaríamos, o FPM [Fundo de Participação dos Municípios] também é uma incógnita, se vamos atingir os valores que estavam planejados. Todo esse escopo demanda uma atenção muito grande”, acrescenta.
De acordo com Rambalducci, o comitê foi criado em 2025 e reeditado em 2026, com o objetivo de “ajudar” as secretarias municipais na gestão de seus orçamentos.
“Nós temos um orçamento muito limitado, ele está muito desafiador, tanto no ano passado quanto neste ano. O comitê se reúne semanalmente e faz a análise das demandas das secretarias a partir de um determinado valor”, explica o secretário. “Fazemos a análise e falamos: ‘Olha, está dentro da política do município e você pode tocar para frente’ ou ‘Neste momento, talvez não seja oportuno fazer esse gasto, essa contratação ou esta renovação de contrato; aguarde enquanto vemos uma alternativa’.”
O objetivo, reforça Rambalducci, é manter as contas públicas equilibradas ao longo de todo o ano.