A PCPR (Polícia Civil do Paraná) concluiu nesta quarta-feira (14) o inquérito envolvendo o assassinato de David Schmidt em uma academia na Rua Prefeito Faria Lima, na zona oeste de Londrina, no dia 5 de janeiro. O autor do crime, Lucas Wancler Ferreira dos Santos, foi indiciado por homicídio qualificado. A motivação seria um relacionamento amoroso entre a vítima e a esposa do autor meses atrás.
Em nota encaminhada à reportagem, a Polícia Civil disse que o inquérito foi concluído dentro do prazo legal de 10 dias. Lucas Wancler Ferreira dos Santos está preso desde a data do crime no CTL (Centro Integrado de Triagem de Londrina).
A investigação foi conduzida pelo delegado Magno Miranda, do 4º Distrito Policial de Londrina. Na nota, a polícia afirmou que foi possível reunir elementos técnicos e testemunhas suficientes para afirmar, com convicção, a autoria e a materialidade do crime.
Santos foi indiciado por homicídio qualificado por meio cruel e com recurso que dificultou a defesa da vítima.”O conjunto probatório produzido inclui, entre outros elementos, a prisão em flagrante, relatos de testemunhas presenciais, apreensão da arma utilizada, registros audiovisuais e laudos periciais já juntados aos autos”, detalha.
Em especial, a nota destaca o laudo de necropsia, que confirmou que a morte aconteceu em decorrência de uma “hemorragia aguda provocada por ferimentos por instrumento pérfuro-cortante”.
Relembre o caso
Lucas Wancler Ferreira dos Santos, de 30 anos, abordou David Schmidt Prado, 37, no estacionamento da academia. Ele se aproxima da vítima e, segundo depois, desfere o primeiro golpe de faca na região do abdômen. Santos segurava a faca em uma das mãos atrás do corpo, o que impossibilitava que a vítima percebesse que ele estava armado.
Prado tenta fugir, mas é atingido outras três vezes antes de pular a catraca da academia na tentativa de fugir do autor. Entretanto, Santos também pula a grade e atinge a vítima pela quinta e última vez. A violência só foi cessada porque um policial militar de folga que treinava na academia rendeu o autor até a chegada das equipes.
David Schmidt Prado chegou a ser atendido por uma equipe médica, mas morreu ainda no local do crime.
Em entrevista no dia 9 de janeiro, o delegado Magno Miranda confirmou que a motivação do crime seria um relacionamento da esposa de Lucas Wancler Ferreira dos Santos com a vítima há cerca de quatro meses. Apesar de serem oficialmente casados, o casal estaria separado há alguns meses, inclusive morando em residências diferentes. A informação é de que Santos soube do caso na época dos fatos e que ele e a vítima nunca tinham se visto pessoalmente.
Miranda também entende que o crime foi premeditado.
Investigações continuam
Apesar da conclusão do inquérito, a Polícia Civil disse que segue cumprindo diligências complementares solicitadas pelo Ministério Público do Paraná para “reforçar e ampliar o acervo probatório para subsidiar a futura ação penal”.
Entre as diligências complementares, a polícia vem coletando as imagens originais e integrais das câmeras de segurança da academia e do entorno e fazendo a oitiva de novas testemunhas, incluindo pessoas que estavam no local do homicídio.
“A Polícia Civil do Paraná reafirma seu compromisso com a celeridade, a legalidade e a qualidade técnica das investigações, atuando de forma integrada com o Ministério Público e demais órgãos do sistema de justiça, sempre com respeito às garantias legais e ao interesse público”, finalizou a nota.
A advogada de Lucas Wancler Ferreira dos Santos, Thais Indiara, disse que a defesa não irá se manifestar neste momento sobre a conclusão do inquérito policial.
"Ressalta-se que o procedimento investigatório ainda será submetido à análise do Ministério Público e do Poder Judiciário, oportunidade em que a defesa exercerá plenamente o contraditório e a ampla defesa, nos termos da lei. Por ora, a defesa se limita a reafirmar seu compromisso com o devido processo legal e com a preservação dos direitos e garantias do investigado", conclui.
A reportagem entrou em contato com o Ministério Público que disse, em nota, que deve oferecer a denúncia até a próxima segunda-feira (19). O promotor do caso, Leandro Antunes, não vai conceder entrevistas.