O LEC (Londrina Esporte Clube) decide o Campeonato Paranaense de 2026 neste sábado (7) diante do Operário, às 16h, no estádio do Café. Será a primeira final de Estadual disputada em casa pelo Tubarão após um hiato de 34 anos. Nesse intervalo, o clube ainda conquistou dois títulos, em 2014 e 2021, mas ambos longe de seus domínios. Por isso, a conquista de 1992 permanece como um marco especial na memória do torcedor alviceleste.
A equipe daquele ano reunia uma mistura de jovens vindos das categorias de base com atletas experientes no futebol paranaense e nacional. O elenco não chamava tanta atenção pelo brilho individual, mas se destacava pela organização e pela entrega em campo. A campanha teve episódios marcantes: uma sequência curiosa de dez empates consecutivos, a eliminação do Athletico Paranaense na semifinal, em Curitiba, nos pênaltis, e a decisão contra o então rival União Bandeirante, resolvida em três partidas no estádio do Café.
Naquele grupo, dois defensores acabaram eternizados: Márcio Alcântara e João Neves. O primeiro havia retornado ao Londrina após passagens por clubes como Palmeiras e Sport. O segundo voltava ao clube para aquela temporada e acabaria autor do gol que decidiu o campeonato.
“Nosso time tinha jogadores de seleção brasileira de base. Tínhamos uma base muito boa subindo para o profissional. Era um elenco forte. Depois muitos desses jogadores cresceram e eu tinha quase certeza de que poderíamos chegar longe. Para muita gente foi uma surpresa agradável, mas nós sabíamos da qualidade do grupo. Não éramos azarões. Éramos uma equipe coesa e tecnicamente muito boa, capaz de enfrentar os times da capital, que eram considerados mais fortes”, relembra João Neves em conversa com a FOLHA.
Foi dele o gol que garantiu o título alviceleste. No terceiro jogo da decisão, em 19 de dezembro de 1992, o Londrina venceu o União Bandeirante por 1 a 0, no Café. O lance decisivo veio em uma jogada de bola parada, arma que o time treinava constantemente.
“Nos treinamentos, trabalhávamos muito a bola aérea. Eu, o Souza, o Cláudio José, o Leco, todos cabeceávamos muito bem. O Roberto colocava a bola na nossa cabeça com a mão. Ele batia muito forte, o que facilitava para nós no cabeceio. No lance do gol, deu tudo certo. Ele bateu forte, eu subi e escorei no canto direito do goleiro. Foi uma sensação maravilhosa. Às vezes até hoje eu vejo o vídeo do jogo e penso: ‘Será que fui eu mesmo que fiz esse gol?’”, conta o ex-zagueiro.