Londrina

Com os dias contados, 'orelhões' completam 54 anos no Brasil

20 jan 2026 às 14:37

Há exatos 54 anos, no dia 20 de janeiro de 1972, eram instalados os primeiros telefones de uso público no país, criados pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira. Os “orelhões”, apelidados carinhosamente pelo formato que prioriza a acústica e serviço que oferece, ganharam vida no Rio de Janeiro e, cinco dias depois, em São Paulo. A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) autorizou que as concessionárias de telefonia deixem de prestar o serviço, e assim, as estruturas restantes devem ser recolhidas em até dois anos, marcando o fim da telefonia fixa com acesso coletivo no país.


Na vanguarda da inovação, Londrina recebeu os primeiros aparelhos somente um ano depois da inauguração nacional, em 1973. Fichas telefônicas deram lugar à cartões indutivos em 1992, simbolizando o avanço na telefonia brasileira. Na chegada do novo milênio, o número de telefones públicos saltou de 547 mil em 1998 para 1,3 milhão em 2003. Porém, a crescente popularização dos celulares na década diminuiu o uso dos aparelhos fixos consideravelmente, por conta da mobilidade e conveniência da nova tecnologia. Hoje, os 33.051 orelhões ativos pelo Brasil acumulam poeira e são sinônimos de obsolescência, sendo que há pouco mais de um ano, em novembro de 2024, o país comportava 108.633 aparelhos.


Fim da telefonia fixa em 2028


A Sercomtel, Oi, Algar, Claro e Telefônica eram as signatárias de contratos de concessão da telefonia fixa - STFC (Serviço Telefônico Fixo Comutado) - nas modalidades local e longa distância nacional, celebrados com a Anatel em 1988 e findados em 31 de dezembro de 2025.


Diante do cenário de desuso progressivo, a legislação setorial foi alterada para permitir que os contratos fossem adaptados para a modalidade de autorização, administrada pelo regime privado, almejando estimular os investimentos em redes de suporte à banda larga.


Como contrapartida, as empresas assumiram o compromisso de manter a oferta do serviço de telecomunicações com funcionalidade de voz por meio de quaisquer tecnologias, incluindo os orelhões, nos locais onde forem as únicas prestadoras, até o prazo máximo de 31 de dezembro de 2028. Ou seja, algumas cidades irão seguir com os aparelhos onde não houver outro serviço de voz, mas as empresas devem concretizar a retirada em até dois anos.


Quanto à Sercomtel, a Anatel informou que “a prestadora ainda deve manter todos os orelhões em sua área de concessão (municípios de Londrina e Tamarana, no Estado do Paraná), até que a adaptação para o regime privado seja efetivada”, antecipou à FOLHA.


Em Londrina


Em 2007, londrinenses consumiram 56,2 milhões créditos telefônicos, contra apenas 5,6 milhões em 2013. No mesmo período, o número de orelhões diminuiu de 4,1 mil para 3,4 mil. Dez anos atrás, Londrina era casa de 3.090 aparelhos, sendo que o mais movimentado ficava no Calçadão, quase na esquina com a Avenida São Paulo. Nele, cerca de 634 créditos eram consumidos ao mês, equivalente a uma média de 20 créditos diários. Hoje, a estrutura já não se encontra mais no local.


Segundo a Sercomtel, o município resiste às dificuldades e ainda comporta 551 aparelhos funcionando, contra os 51 inativos, e mais de 80 estabelecimentos permanecem na lista de pontos de revenda de cartão telefônico. A área de concessão inclui os distritos da cidade e Tamarana, cidade na Região Metropolitana de Londrina que ainda não havia se emancipado quando o contrato de concessão do serviço foi firmado com a Anatel.


A assessoria informou que os telefones não serão retirados “devido a algumas tratativas com a Anatel”, incluindo os dispositivos localizados nas réplicas vermelhas das cabines telefônicas inglesas. A empresa não informou quantos créditos telefônicos foram consumidos no ano passado, relatando somente que “o uso é muito baixo”.


Leia a reportagem completa na FOLHA:

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