Aos 81 anos, Antonio Pastorello se tornou a primeira pessoa a receber a infusão do Kisunla em Londrina, na última terça-feira (27), no Hospital do Coração. O remédio é o mais moderno a nível mundial que trata o comprometimento cognitivo leve e demência leve associados ao Alzheimer na fase inicial, reduzindo a progressão da doença em torno de 35%. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou o medicamento em abril do ano passado, que chegou ao Brasil em agosto e tem custo aproximado de R$ 6 mil por ampola.
O pioneirismo é celebrado pela família do patriarca e visado por outros pacientes de Lindsey Nakakogue, geriatra que realizou a aplicação intravenosa.
Desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, o princípio ativo donanemabe atua sobre uma das prováveis causas da perda cognitiva e mantém a autonomia do paciente por mais tempo. Ele é um anticorpo monoclonal que se liga à proteína beta-amiloide, acumulada no cérebro dos pacientes com Alzheimer, e faz com que ela seja eliminada.
“A beta-amiloide é como se fosse um combustível para fosforilar outra proteína, que é a proteína tau, e assim, ocorre a morte de neurônios e atrofia cerebral, principalmente em regiões de memória recente. A atuação (do princípio ativo) é no clareamento do cérebro, na redução das placas de beta-amiloide, e com isso, vimos uma lentificação da progressão da doença”, explicou Nakakogue, que também é diretora científica da Febraz (Federação Brasileira das Associações de Alzheimer).
Doença fez mãe e irmão 'sumirem'
Nascido em Lins (SP), Antonio trabalhou como bancário ao longo da vida, sendo que foi gerente de banco, somente em Brasília, por mais de 25 anos. Casado com Maria de Lourdes, teve três filhos, Marcos, Ana Carolina e André, falecido durante a pandemia de Covid-19. Também é avô de Felipe, Alice e Ana Clara.
O patriarca foi diagnosticado com Alzheimer em agosto do ano passado, tão logo iniciando o tratamento tradicional. Ele já apresentava histórico familiar para a doença, com a mãe e o irmão mais velho acometidos em uma época que demências não eram facilmente identificáveis. Mesmo assim, ele contou que os parentes não faleceram por conta do transtorno, visto que se mantiveram ativos.
“A gente não pode parar, se parar, cai. Trabalhou a vida inteira, aí você para e não tem mais relacionamento com o outro a não ser na família. Meu irmão nem sabia quem era ela (a mãe), como vai se comunicar? Mas, na realidade, eu acho que (a doença) até aumentou a possibilidade deles continuarem vivos, porque eles não esquentavam mais a cabeça, não se preocupavam, não passavam raiva”, riu Antonio. “Ajudou a aumentar a vida deles, mas sem nada. Porque eles praticamente sumiram”.
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