Tradicional evento gastronômico
Após três anos dos ataques às principais sedes da democracia brasileira, ocorridos em 2023, em Brasília, uma manifestação popular no Calçadão de Londrina, nesta quinta-feira (8), relembrou o atentado promovido por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, um dos líderes da trama golpista — condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a 27 anos e três meses de prisão.
A ação, organizada pelo PT (Partido dos Trabalhadores) e por outras entidades de esquerda e projetos sociais, teve como objetivo manifestar posicionamento contrário aos avanços do PL (Projeto de Lei) da dosimetria. No texto, vetado integralmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira, as penas aplicadas aos réus da invasão e da trama golpista seriam drasticamente reduzidas. Outro tema abordado pelos manifestantes foram as recentes tensões entre os Estados Unidos e a Venezuela.
Marcada por bandeiras vermelhas e cartazes com os dizeres “sem anistia”, a manifestação ocupou parte do calçadão em frente ao Teatro Ouro Verde e transcorreu de forma pacífica. Com início previsto para as 17h, a concentração de pessoas foi se intensificando ao longo do fim da tarde.
Para a presidente do PT em Londrina, Isabel Diniz, a iniciativa representa um ato de memória em relação às violências praticadas contra bens e prédios públicos.
“Não podemos permitir que facções e banditismos determinem os rumos do nosso país. Hoje, os partidos progressistas buscam, por meio da nossa sintonia, fazer com que a população se lembre desse momento. É por meio dessa memória que podemos resistir”, afirmou.
Em conjunto com outros municípios, o protesto de Londrina se somou a atos realizados em cidades como Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Presente na manifestação, a deputada federal pelo PT-PR, Lenir Cândida de Assis, destacou a força da “unificação” do movimento e seu papel de alerta para possíveis “novos golpes e perdas de direitos no Congresso Nacional”.
Outra autoridade presente no Calçadão de Londrina foi o deputado federal e presidente do PT-PR, Arilson Chiorato. Segundo ele, os julgamentos e investigações relacionados aos atos de invasão foram fundamentais para “mapear” as figuras políticas que teriam patrocinado as ações de violência.
Manifestantes
Na avaliação da assistente social Maria Gizelda de Lima Fonseca, de 62 anos, a liberdade de expressão defendida pelos acusados não se sobrepõe a práticas criminosas.
“Liberdade de expressão é expor sua visão de mundo sem agredir ou vandalizar. Não somos contra protestos, independentemente de posição política; somos a favor da democracia”, afirmou.
As cores nacionais, fortemente associadas às manifestações políticas da direita nos últimos anos, também foram vistas entre alguns londrinenses nesta quinta-feira. Germano Almeida, de 35 anos, estudante de Ciências Sociais da UEL (Universidade Estadual de Londrina), defendeu a necessidade de desvincular o verde e amarelo da extrema direita no país.
“É uma satisfação sair às ruas usando as cores do Brasil. Elas foram usurpadas por um grupo político que as utilizava para outros fins. Recentemente, vemos uma associação [da bandeira] com países imperialistas e colonialistas, como os Estados Unidos. Amamos nosso país e precisamos defendê-lo”, concluiu.