Londrina

Mães e filhos de Londrina se unem em ensaio fotográfico para eternizar o amor da relação

10 mai 2026 às 07:00

Um amor incondicional”, “os filhos são tudo para a gente” e “nossa prioridade são eles [os filhos]; deixamos de fazer algo pessoal apenas para atender às necessidades deles”. Foi assim que algumas das mães participantes do projeto “Eu Amo a Minha Mãe” descreveram as características mais importantes que definem o papel da maternidade em suas vidas.


Organizado e promovido pelo curso de publicidade e propaganda da Unopar (Universidade Norte do Paraná), a iniciativa oferece uma sessão gratuita de fotos profissionais, com cenário e tratamento de imagens, para mães e seus filhos. O Portal Bonde esteve em um desses ensaios que, na edição de 2026, ocorreram nas noites dos dias 6 e 7 de maio, entre 19h e 21h, na unidade Catuaí - localizada na Rua Edwy Taques de Araújo, 900.


Participante recorrente do projeto, a professora e fisioterapeuta Magda Stival, de 43 anos, conta que o momento da sessão de fotos é sempre aguardado como um grande evento. Mãe da estudante Marina Maciel, de 16 anos, ela compartilha que a memória tem um papel muito especial, pois, por meio das lembranças e da alegria presente em cada fotografia, consegue visualizar a evolução dessa relação. 


“É muito legal, pois a cada ano que passa fazemos a comparação entre elas [as fotografias]. Acho muito agradável e prazeroso ter essas recordações. Também sempre acabo aprendendo algo sobre fotos. Sou fisioterapeuta e não sei nada sobre poses, mas a equipe é muito receptiva e talentosa”, afirma Stival.


Questionada sobre sua trajetória como mãe, a fisioterapeuta descreve o “amor incondicional” como sentimento predominante e, principalmente, celebra sua relação de parceria e amizade com a filha.


“Quando minha filha nasceu eu disse para ela: ‘Seja muito bem-vinda!’. Eu não ganhei só uma filha, Deus foi muito bondoso comigo, fui presenteada com uma melhor amiga. Nós somos muito unidas, ela é minha força”, desabafa Stival, emocionada.


A pedido da reportagem, a fisioterapeuta revela algumas dicas e aprendizados que adquiriu ao longo de 16 anos de experiência na maternidade, para que mães de primeira viagem possam utilizar.


“Nenhum desafio é impossível. Ser mãe é um aprendizado diário, não é um ‘morango’, tem muitos desafios. Porém, cada desafio e passagem nessa trilha é muito prazerosa. A melhor coisa é aprender junto com eles [os filhos]. É lógico que alguns limites deverão ser impostos, mas seja amigo deles. É a melhor coisa que existe. Eu mesma tive uma mãe maravilhosa, que me ensinou muito. Se hoje sou um terço do que ela é para mim, então já estou muito contente”, desabafa.


Não habituada com as fotos, a filha revela que foi uma grande incentivadora para que Stival se “soltasse” mais na presença das câmeras. Após o sucesso da empreitada, a estudante diz que “sente um quentinho no coração” toda vez que olha para cada uma das imagens.


“Ela é minha maior inspiração, sou quem sou hoje por causa dela. Minha mãe me apoia em tudo, até mesmo nas minhas loucuras (risos). Não tenho palavras para demonstrar o quanto sou grata a ela”, celebra Marina.



Alguns membros da equipe do projeto não deixaram a oportunidade escapar e convidaram suas próprias mães para a sessão. Esse foi o caso da estudante Heloisa Beatriz Dantas de Oliveira, de 20 anos, que trouxe sua mãe, a profissional de limpeza Janaina Dantas de Oliveira, de 38 anos, e seus dois irmãos, de 6 e 10 anos.


Ao chegar no local, a filha logo deixou seus equipamentos de lado para estar junto da família nesse momento especial. Anunciada por Heloísa como a “mãe” da turma, Janaina foi recebida pelos colegas da filha e preparada para eternizar o momento ao lado dos três filhos.


Travando uma forte luta contra a vontade de chorar, mãe e filha enfatizam a raridade de momentos como este na rotina corrida, em que a valorização da relação familiar assume o primeiro plano.


Acostumada a ser frequentemente homenageada pela filha mais velha em apresentações escolares, a mãe brinca que topou participar do ensaio porque não sabe quando terá outra oportunidade de celebrar o Dia das Mães no ambiente escolar da filha.


“Sou muito chorona, sempre que aparece a oportunidade de ser homenageada por eles faço questão de estar presente. Por isso vim aproveitar, não sei quando terei outra oportunidade dessas”, conta, aos risos.


A maternidade, aos olhos de Janaina, está nos sacrifícios pessoais necessários para que os filhos alcancem a felicidade. “Não sei as outras mães, mas eu deixo, muitas vezes, de fazer algo por mim para atender algo para eles. Isso é muito emocionante”, ressalta.


Grávida aos 17 anos, Janaina conta que se sentiu extremamente assustada ao descobrir a gestação da primeira filha, Heloísa. “O pensamento que veio foi: ‘Meu Deus, o que faço agora?’. Mas depois tudo foi se encaminhando e dando certo”.


Janaina confessa que, se pudesse dar um conselho para outra pessoa em uma situação semelhante à que viveu há 20 anos, a dica seria: “Vá com calma, se possível, espere mais um pouco. Ser mãe dá muito trabalho”.


Orgulho é o sentimento que predomina na descrição de Janaina ao falar da filha mais velha. Devido à necessidade de assumir o papel de mãe tão jovem, a profissional de limpeza enxerga na filha um futuro educacional e profissional que ela própria não pôde trilhar.


“É uma bênção ver ela [Heloísa] caminhando para a vida, algo que eu não consegui ter, essa mesma oportunidade. Poder oferecer isso para ela é muito bom e gratificante”, pondera.


Como uma das participantes do projeto, Heloisa defende que a sessão de fotos, ter esse momento exclusivamente para fazer uma fotografia ao lado de seus entes queridos, é uma forma de mostrar afeto e dizer “que se importa”.


“Não sabemos o que vai acontecer no dia de amanhã. E, muitas vezes, na correria acabamos não registrando. Ter essas recordações é a nostalgia de olhar uma foto e lembrar que naquele momento tudo estava certo e bem. Isso é algo muito valioso”, observa.



Por meio de três gerações, a estudante Laisa Aparecida de Campos, de 22 anos, soube da sessão de fotos através de uma amiga do projeto e decidiu levar a mãe, a dona de casa Rosimeire Ribeiro de Campos, 56, e a avó, a aposentada Edir Rodrigues de Campos, 74.


“Os filhos são tudo para a gente. Quando descobri que estava grávida pela primeira vez foi uma surpresa muito boa. Se eu pudesse dar uma dica para uma mãe que ainda vai viver tudo isso, seria: aproveite muito o tempo com eles, eles crescem tão rápido que você não consegue acompanhar direito”, compartilha Rosimeire, mãe de Laisa e de outras duas filhas, de 31 e 37 anos.


Para a avó, Edir, mãe de Rosimeire e de outra filha, de 52 anos, ver as duas gerações da família unidas é algo emocionante. “Me sinto muito orgulhosa de todo o trabalho que minha filha fez sendo mãe”.



Projeto “Eu Amo a Minha Mãe” completa nove anos

Criado em 2017, o projeto “Eu Amo a Minha Mãe”, segundo a coordenadora e idealizadora Renata Aparecida Frigeri, possui um duplo propósito: a frente acadêmica, voltada ao desenvolvimento profissional dos alunos nas áreas de fotografia, tratamento de imagem e identidade visual da edição; e o lado afetivo, com a contribuição social do curso para a comunidade.



“A ideia era justamente oferecer uma homenagem às mães nesta semana que antecede o dia delas. Simultaneamente, levar a prática para nossos alunos. Em toda edição, o trabalho começa a ser feito 40 dias antes do ensaio fotográfico. Nesse período, os alunos pensam no cenário e executam toda essa parte da identidade visual”, detalha a responsável.


Pensando no costume de crianças enviarem cartas para suas mães, o estudante e integrante do projeto Leonardo dos Santos Dias conta que essa foi a ideia norteadora para a montagem do cenário e da identidade visual da edição deste ano.



“Na concepção da ideia, lembrei que costumava entregar cartas para minha mãe quando era pequeno. Por isso, pensei: ‘Quem melhor do que uma criança para fazer isso?’. Pedi para meu primo, de 9 anos, que escrevesse o nome do projeto e fizesse alguns desenhos. Consegui usar a letra dele como tipografia e os desenhos nas peças de divulgação”, conclui Dias.


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