Pesquisar

ANUNCIE

Sua marca no Bonde

Canais

Serviços

Publicidade
Centro silencioso

Lojas de rua de Londrina têm movimento fraco nesta terça

Simoni Saris - Grupo Folha
17 fev 2026 às 18:29

Compartilhar notícia

Foto: Sergio Ranalli
siga o Bonde no Google News!

Poucas lojas abertas e o comércio de rua com movimento fraquíssimo foi o que se viu nesta terça-feira (17) de Carnaval, em Londrina. No período da manhã, na região central, entre os estabelecimentos que decidiram funcionar, a maioria deles ficou vazia. Sem compradores, muitos comerciantes reavaliavam a decisão e planejavam encerrar as atividades mais cedo. À tarde, a chuva terminou de espantar os poucos que circulavam pelo centro.


Em uma loja do Calçadão, a vendedora Janaina dos Santos Feitosa não havia atendido nenhum cliente até perto das 11 horas. “Eu já esperava que a loja ficasse vazia. Ontem (segunda-feira, 16), também não vendi nada, mas ainda teve gente que entrou para perguntar os preços. Hoje, nem isso. Não está compensando. Fevereiro todo está sendo um mês muito fraco para as vendas”, comentou.

Receba nossas notícias NO CELULAR

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp.
Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.


Moradora de Rolândia (Região Metropolitana de Londrina) e usuária do transporte público, Feitosa teve de sair mais cedo de casa nesta terça-feira porque os ônibus metropolitanos, assim como os coletivos que circulam dentro de Londrina, estavam seguindo os horários de domingo. Para retornar para casa, ela planejava encerrar o expediente antes das 18 horas. “Se eu sair às 18 horas, perco o ônibus da volta e o próximo, só às 20 horas.”


Em outro estabelecimento da região central, que se prepara para encerrar definitivamente as atividades, quatro funcionárias e a proprietária estavam de braços cruzados. “Tem um grupo (de comerciantes) e a maioria falou que iria abrir, mas a maioria não abriu. Só que também, tiraram as linhas de ônibus. Deveriam ter mantido. Todas as minhas funcionárias dependem de transporte e uma delas teve que sair bem mais cedo de casa para poder chegar aqui no horário”, reclamou a lojista que não quis se identificar.


Além da falta de clientes, a comerciante também se queixou da falta de segurança. “Está cheio de moradores de rua aqui no centro, está um abandono e o policiamento está bem fraco. A gente fica assustada, um monte de mulher aqui na loja, sozinha, sem segurança, a gente não sabe como reagir. Eu planejava deixar a loja aberta até as 18 horas, mas não compensa. Não tem como ficar aqui, deixar a porta aberta, correndo risco.”


Nas Lojas Renascer, na avenida São Paulo, a gerente, Márcia Sampaio, encarregou os funcionários de organizarem as mercadorias. “O movimento na loja está muito fraco. Até vendemos alguma coisa, mas bem menos do que em um dia normal. Na segunda, foi razoável, mas a gente já esperava. Segunda de Carnaval é sempre assim.”


Em todo o comércio por onde a reportagem circulou, apenas em algumas lojas de variedades o fluxo de consumidores era um pouco maior, mas bem menos intenso do que comparado com uma terça-feira comum. Em uma delas, a artesã Elizete Soares circulava acompanhada dos pais. “Moro na vila Nova e vim trazer meu pai e minha mãe para passear e também aproveitei para comprar. Hoje é bem mais tranquilo, dá pra fazer tudo com calma.”


A aposentada Ivone Macedo aproveitou a tranquilidade do Calçadão para levar a neta, Maya, de quatro anos, para passear. Ela entrou em algumas lojas, se interessou por alguns produtos, mas preferiu economizar. “A gente vê muita coisa e acaba comprando o que não precisa porque está baratinho. Mas me contentei em olhar. A minha neta também gosta de ver os produtos, tem muita coisa colorida, brilhante, que chama a atenção das crianças. Hoje está um dia ótimo para fazer um passeio a pé. Clima agradável e pouco movimento. Mas estou com pena dos trabalhadores que saíram de casa para ficarem parados nas lojas.”


Apesar de todo o país praticamente parar no Carnaval, nenhum dia entre o sábado e a terça-feira é feriado oficial nacional. Para que a data seja considerada feriado ou determinados os pontos facultativos, estados e municípios devem criar leis específicas. Foi o que fez, por exemplo, o Rio de Janeiro, que desde 2009 passou a seguir a lei sancionada no ano anterior, decretando a terça-feira de Carnaval feriado em todo o Estado.


No Paraná e em Londrina, não existe uma lei semelhante. Assim, oficialmente, os trabalhadores são obrigados a cumprir a jornada normalmente e a decisão de abrir ou não os estabelecimentos comerciais fica a critério dos empresários.


O ponto facultativo só se aplica aos servidores públicos. Empresas privadas agem de acordo com a legislação quando decidem manter o expediente nos dias de Carnaval.


Em todo o país, apenas a Quarta-feira de Cinzas é considerada ponto facultativo até as 14 horas. Mas em cada estado, os municípios decidem de que forma irão trabalhar. No Rio de Janeiro, o ponto facultativo é válido para toda a quarta-feira e os trabalhadores só retomam as atividades na quinta-feira (19). Em Londrina, muitas lojas de rua suspenderam as atividades entre o domingo e a terça-feira e voltam a reabrir nesta quarta-feira (18), a partir das 12 horas.


Sincoval


Questionado se a abertura do comércio no Carnaval compensa diante do baixo movimento registrado em algumas regiões da cidade, o presidente do Sincoval (Sindicato do Comércio Varejista de Londrina e Região), Ovhanes Gava, afirmou que a discussão envolve uma mudança cultural. Segundo ele, o comércio de rua precisa se manter competitivo em relação aos shoppings, que tiveram fluxo considerado positivo durante o feriado.


Gava pondera que não é possível generalizar a percepção de movimento fraco para todo o setor. “É uma cultura que vai sendo mudada com o tempo. Aos poucos vamos alinhando Carnaval com comércio e entretenimento, o que é importante para o varejo”, afirmou.


Ele comparou o caso com a realização da feira da SRP (Sociedade Rural do Paraná), que também mobiliza a cidade com shows e eventos. “Se levarmos em consideração que o Carnaval enfraquece o comércio, imagine com a ExpoLondrina daqui a alguns dias. As atenções se voltam para a festa, mas ninguém fala em fechar o comércio. Pelo contrário, tanto empregado quanto patrão querem estar abertos para aproveitar esse movimento”, argumentou.

Cadastre-se em nossa newsletter


Para o dirigente, Londrina não possui tradição consolidada de Carnaval a ponto de justificar uma paralisação ampla do comércio. “Isso é mais característico de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e do Nordeste. Londrina já não é tão pequena, mas também não é um polo tradicional de Carnaval”, considerou.

Últimas notícias

LONDRINA Previsão do Tempo

Portais

Anuncie

Outras empresas