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19 anos sem desfecho

Justiça por Amanda Rossi: morre pai da jovem assassinada em Londrina

Jéssica Sabbadini - Redação Bonde
18 mar 2026 às 19:01

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Foto: Rei Santos/Arquivo Folha
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Há quase duas décadas, um crime abalou Londrina: a estudante universitária Amanda Rossi, de 22 anos, foi encontrada morta na casa de máquinas de uma das piscinas da Unopar (Universidade Norte do Paraná) dois dias depois de desaparecer durante um festival acadêmico em outubro de 2007.


O assassinato da jovem deixou feridas que nunca foram curadas, mesmo 19 anos depois do crime. Em busca de justiça pelos autores do crime que colocaram um fim na vida da filha, Luiz Carlos Rossi, nunca se conformou com o desfecho: duas pessoas foram condenadas pela execução do crime, mas o inquérito sobre suspeito de ser o mandante do crime foi arquivado em 2021 por falta de provas.

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Após anos de luta, Rossi morreu no último domingo (15) em decorrência de complicações causadas pela diabetes. A informação foi confirmada pela filha mais nova, Isadora Fernanda Rossi, 35, que descreve o pai como uma pessoa comunicativa e que conversava com todo mundo. “Ele sempre foi um pai muito presente e cuidadoso, me mandava pelo menos um bom dia e boa noite todos os dias no Whatsapp, quando não mandava eu sabia que algo não ia bem”, relembra.


Depois da trágica perda da irmã, ela afirma que, assim como toda a família, o pai nunca mais foi o mesmo. “Ele não tinha mais o mesmo brilho, a mesma vontade de viver, foi assim que ele desenvolveu uma piora do quadro da diabetes, mas mesmo com toda dor da perda, ele foi incansável na luta por justiça até o fim”, afirma.

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A força do pai para lutar, segundo ela, vinha da fé inabalável, o que o motivou a participar mais das ações da igreja, principalmente para ajudar famílias em necessidade. Em 2011, duas pessoas envolvidas no crime foram condenadas a penas que variam de 21 a 23 anos de prisão: Dayane de Azevedo foi responsável por atrair a jovem até o local do crime e a atingir na cabeça; já Alan Aparecido Henrique foi quem asfixiou a vítima até a morte.


Em 2021, a justiça pediu o arquivamento do inquérito que investigava um possível suspeito de ser o mandante do crime por falta de provas. “Ele nunca se conformou e sempre acreditou que um dia ainda haveria justiça, de uma forma ou outra ele nunca deixou de acreditar que esse dia um dia chegaria”, afirma a estudante de medicina veterinária.

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Entre tantas memórias, Isadora Fernanda Rossi conta que foi com o pai que aprendeu a gostar de Elvis Presley e outras bandas antigas, assim como compartilhava com ele o apreço pelo café sem açúcar e pela água com gás.


A saúde do pai começou a se agravar em 2023, quando ele fez algumas cirurgias por conta da diabetes e precisou amputar um dos pés. Na época, a bexiga também parou de funcionar e ele passou a viver com sonda. Após meses de internação, ele retornou para casa sem poder andar e fazer as coisas que mais gostava, como dirigir seu “Corolão”, conta a filha. Ela cita ainda o falecimento dos dois cachorros, Lucky e Lua, fiéis companheiros por 19 anos, o que também desestabilizou o pai.

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Na visão da estudante, a perda da independência afetou a saúde psicológica do pai, sendo que ele precisou ser internado inúmeras vezes nos últimos meses por conta de episódios recorrentes de infecção urinária. Na última vez, ele contraiu uma bactéria muito resistente após uma semana no hospital.


Foto: Paulo Monteiro/Arquivo Folha


No último domingo, por volta das 6h50, ela conta que o pai disse que não conseguia respirar direito, sendo que momentos depois entrou em parada cardíaca. Apesar das tentativas de reanimação, ele faleceu no Hospital Evangélico de Londrina. “É uma cena que fica repassando na minha cabeça a todo momento, pois ele sempre acreditou que sairia do hospital e bem, ele tinha uma fé inabalável e acreditava muito que Deus não o levaria”, relata.


Para Isadora Fernanda Rossi, o legado que o pai deixa é o de esperança e de nunca desistir de lutar por justiça, já que de uma forma ou de outra ela virá um dia. Apaixonado pelos animais, ela cita o orgulho que ele tinha de vê-la seguindo na veterinária.

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“Nas datas comemorativas vai faltar ele na mesa, assim como na minha formatura, mas eu prometo que vou tentar ser tudo isso que ele acreditava que eu era, e no que depender de mim eu vou continuar o legado de ajuda dele a quem mais precisa”.

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