Recentemente, o jovem foi convocado pela Associação Jaguar Basketball para disputar os campeonatos Paulista e Nacional nas categorias sub-18 e sub-20. A mudança, marcada para a madrugada desta sexta-feira (6), será antecedida por um concerto especial de despedida, organizado pela própria família.
O concerto, batizado de “To Coda”, contará com um repertório de música brasileira, barroca, tango e choro. A apresentação acontece nesta quinta-feira (5) na Paróquia Imaculada Conceição, na Rua Belo Horizonte (Centro), às 19h30.
Para viabilizar o evento, a família adotou o modelo de “concerto-coleta”, no qual o público pode contribuir voluntariamente por meio de uma chave PIX (43 99924-5903) para auxiliar nos custos da apresentação.
Sobre o concerto “To Coda”
Em entrevista ao Portal Bonde, Gabriel conta que a escolha pelo nome “To Coda” surgiu de seu pai, Miguel Santos. No universo musical — especialmente no choro — a "coda" indica o trecho final de uma composição. No caso do jovem, a expressão simboliza o encerramento de um ciclo como professor de música e o início de outro, agora nas quadras.
“[Na apresentação] vou tocar de tudo. Tentei reunir o máximo do repertório que aprendi em minha vida e resumir tudo em um único concerto”, projeta.
Ambiente musical
O contato com a música começou antes mesmo dos primeiros passos. Nascido em uma família de músicos, Gabriel cresceu cercado por instrumentos e ensaios. A principal inspiração veio do avô, trompetista profissional com três décadas de carreira, que lhe deu a primeira bateria ainda no primeiro ano de vida.
“Quando meu avô me deu as baquetas, eu nem conseguia segurar direito. Meu primeiro show remunerado foi aos sete anos. Desde a barriga da minha mãe eu já acompanhava as aulas”, relembra, em tom descontraído.
Nesta quinta-feira, Gabriel dividirá o palco justamente com o avô, com quem intensificou os ensaios nos últimos dias.
Primeiro atleta da família
Gabriel é o primeiro da família a seguir uma carreira profissional no esporte. O interesse começou nas aulas de natação, em um clube da cidade. Pouco tempo depois, ao observar amigos jogando basquete, trocou a piscina pela quadra. Desde então, integrou a equipe do APVE Londrina, onde ganhou experiência e projeção.
“Sempre tive vontade de explorar novos desafios fora de casa ao completar 18 anos. Estou mais animado do que ansioso com essa mudança”, ressalta.
Música ou esporte
A decisão de seguir para São Paulo foi construída com o apoio da família, da equipe esportiva e também de profissionais da música. Segundo Gabriel, o fator idade pesou na escolha pelo esporte neste momento.
“Chegamos à conclusão de que este não será o fim da minha carreira musical. Mas, como a idade é um fator importante no basquete, decidi aproveitar essa chance. A música sair de mim é algo bem difícil”, analisa.
Pais apreensivos
Para os pais, o momento é carregado de empolgação e “frio na barriga”. Luciana Aparecida Schmidt dos Santos, mãe do jovem, vê no repertório do concerto desta quinta um reflexo simbólico da despedida.
“Vamos tocar um concerto de San Martin. Nessa música, um dos movimentos tem muita dissonância. Representa aquela angústia que se dissolve em uma resolução: um misto de alegria, saudade e preocupação. Mas ele está muito preparado”, afirma.
A decisão de experienciar uma área diferente da música foi um choque para os responsáveis. A mãe salienta que, inicialmente, achou “estranho” o interesse pelo basquete, mas sempre apoiou o filho com as despesas em suplementos e academia.
“Isso tudo foi depois da pandemia. Mesmo depois que ele estava no APVE, eu continuava questionando: ‘tem certeza de que isso é realmente o que você quer?’. Mas, de repente, em três anos ele fez algo que talvez precisasse de muito mais tempo”, pondera.
Antes mesmo do “tchau”, a mãe já antecipa a falta de tocar ao lado do filho. “Estou muito feliz, mas é muito gostoso tocar com ele. Meu marido sempre fala isso”, desabafa.
O pai, Miguel Santos, reconhece a dedicação e a importância da escolha do filho. Em sua visão, o talento não é nato, mas resultado de um trabalho consistente e focado. “Ele tem uma disciplina muito forte, tanto na música quanto no esporte”, diz.
Estúdio familiar
Criado há dez anos, o Estúdio Flauta e Fole é administrado pela família Santos, que organiza as aulas na própria residência. Atualmente, o espaço conta com 80 alunos matriculados.
O casal e seus dois filhos, Gabriel e a irmã, Giovana Schmidt, de 21 anos, trabalham no ensino de diversos instrumentos com crianças e adolescentes — com foco maior em flauta doce, acordeon e piano. Um diferencial do estúdio são as aulas com bebês, uma forma de desenvolvimento musical e terapêutico entre mães e filhos, introduzindo a relação com a música desde os primeiros meses de vida.
Devido à natureza familiar do estúdio, Luciana conta que os alunos acabaram criando fortes laços com a família.
“Muitos deles cresceram junto com o Gabriel e a Giovana e participaram do nosso dia a dia. Alguns estão conosco desde o começo. É quase uma vida: alguns começaram bebês e agora tocam flauta”, conclui, contente.