Londrina

Idoso denuncia estragos deixados pela Sanepar em rua de Londrina

12 mai 2026 às 15:13

O aposentado Luiz Guirado, de 92 anos, denunciou ao Portal Bonde, nesta segunda-feira (11), que uma obra executada na rua Cambuquira por uma terceirizada da Sanepar, no Champagnat (Zona Oeste), tem provocado rachaduras na residência onde vive com a esposa. A empresa também deixou a calçada da residência com um buraco, que foi tapado por cascalho, e teria sido a causa um acidente doméstico.


Segundo a família, o problema começou há cerca de dois meses, após intervenções da companhia para reparo de um vazamento na via. Desde então, o morador afirma conviver diariamente com tremores provocados pela passagem de veículos pesados sobre o trecho remendado do asfalto.


A denúncia foi encaminhada à reportagem por Mary Celia Guirado, filha do aposentado. Ela disse que a obra teria sido executada de forma inadequada e que os problemas persistem mesmo após dois reparos feitos pela terceirizada. De acordo com o relato, a primeira abertura ocorreu em 10 de março deste ano, quando equipes da Sanepar fizeram uma intervenção para manutenção da rede de água.


De acordo com Mary, o primeiro fechamento do buraco teria sido feito sem compactação adequada e sem sinalização. Poucos dias depois, o vazamento voltou a aparecer e uma nova equipe retornou ao local. Durante esse segundo atendimento, a família conta que uma retroescavadeira teria danificado a calçada da residência.


A filha afirma que registrou reclamação junto à Ouvidoria da companhia. A resposta da empresa, enviada em 17 de março, informou que o serviço havia sido executado. No entanto, segundo ela, os problemas continuam e vêm se agravando. Agora, a família também pretende acionar a Agepar (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Paraná) e ingressar com ação no Juizado Especial Cível.


Reportagem foi ao local


Nesta segunda-feira (11), o aposentado conversou com a reportagem na residência. Enxergando apenas 4% em um olho e totalmente cego do outro, ele mostrou os danos na calçada e as rachaduras que, segundo ele, surgiram após o início das obras. 


No último sábado (9), ele sofreu um acidente doméstico ao lado do buraco que a Sanepar deixou na calçada da residência. De acordo com a família, o idoso precisou ser socorrido pelo Corpo de Bombeiros e foi levado ao hospital. Ele levou três pontos após a queda e segue tomando antibióticos e medicação para dor. 


“A minha filha estava saindo com o carro e eu estava em frente ao portão. Como não enxergo nada e a calçada estava desse jeito, me desequilibrei e caí”, contou. Luiz confirmou que o problema começou após sucessivos reparos no mesmo ponto da rua. 


“Esse buraco surgiu porque estava vazando água na rua. Fizeram o buraco, taparam e, depois de dois ou três dias, começou a vazar novamente. Eles vieram para resolver. Pegaram os entulhos e colocaram tudo em cima da minha calçada”, disse.


Segundo ele, o asfalto colocado pela empresa na rua ficou elevado em relação ao restante da pista, fazendo com que veículos passem com impacto sobre o trecho. “O asfalto que eles colocaram para cobrir ficou um tanto acima do normal da pista. Essa é a pancada que dá e treme a casa inteira. O ônibus passa em cima. Cheguei a ligar para a empresa de ônibus falar aos motoristas que evitem passar em cima do novo asfalto, porque dá para desviar”, pontuou.



A reportagem aguardou a passagem do ônibus da linha 302 (Jardim Hedi) e constatou que, ao cruzar sobre o remendo do asfalto, o impacto provoca vibrações perceptíveis na residência. As rachaduras nas paredes são visíveis em diferentes pontos do imóvel e estão presentes no chão e teto.


“A minha esposa tem Alzheimer e até se assusta. O meu maior medo é que tudo isso venha para baixo. Só ela e eu dormimos aqui à noite”, afirmou o aposentado, preocupando-se com a esposa, que tem diagnóstico da doença há oito anos. Sem novas respostas da companhia, Luiz afirmou que pretende buscar reparação judicial pelos prejuízos e pelos riscos enfrentados pela família. 


Resposta da Sanepar


A reportagem entrou em contato com a Sanepar e aguarda posicionamento sobre as denúncias apresentadas pelos moradores.


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