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Enio Sehn

Idealizador do restaurante Dá Licença morre aos 84 anos em Londrina

Jéssica Sabbadini - Redação Bonde
04 mai 2026 às 15:48

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Divulgação
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Londrina perdeu no final da noite deste domingo (3) um de seus principais expoentes do ramo gastronômico: o empresário Enio Sehn. Idealizador do restaurante Dá Licença, com três unidades em pleno funcionamento hoje, Sehn era considerado pelos amigos o gaúcho mais ‘pé-vermelho’ de todos. Aos 84 anos, o empresário morreu em decorrência de uma pneumonia.


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Enio Luiz Sehn nasceu no Natal de 1941, em Venâncio Aires, e veio para o Paraná em 1962, aos 20 anos, para seguir a carreira como bancário. A primeira parada dele foi a capital, Curitiba, para trabalhar no Banco do Estado do Paraná, e depois seguiu caminho para Londrina, em 1966, de onde nunca mais saiu.


No estado, também passou pela Codepar (Companhia de Desenvolvimento do Paraná) e trabalhou em diversos bancos ao longo dos anos, assumindo a gerência de algumas unidades.


O primeiro restaurante


A jornalista Carla Sehn, filha de Enio, conta que o pai sempre foi um homem muito ativo e que gostava de estar junto com os amigos, organizando churrascos e festas para reunir as pessoas. Foi com essa ideia que ele fundou o primeiro Dá Licença, no Calçadão de Londrina, em 1979. O nome, segundo ela, veio do espaço pequeno, com poucas mesas.


Na sequência, veio a unidade da Rua João Cândido e, depois, uma lanchonete na Rodoviária de Londrina e restaurantes nos shoppings Royal e Boulevard, além de outros pontos da cidade. Segundo a filha, não era o objetivo do pai que esse se tornasse o principal negócio da vida dele. “Era para ser um espaço para receber os amigos”, afirma.


Mas com o encerramento das atividades do banco em que trabalhava, ele entrou de cabeça no ramo da gastronomia. “Ele sabia liderar a equipe, fazer essa parte social muito bem, ele deslanchou, foi algo bem tranquilo para ele. Ele gostava de cozinhar, gostava de carne, de churrasco. Foi algo que veio naturalmente com o espírito empreendedor”, relembra.


Com a pandemia, as operações foram reduzidas e, hoje, permanecem em pleno funcionamento os restaurantes da Rua João Cândido e do Shopping Royal e o Recanto Dá Licença. “Ele se orgulha de dizer que foi um dos primeiros a trazer o sistema por quilo aqui para Londrina e foi ele quem trouxe para o Paraná, por incrível que pareça, a novidade do corte picanha, que ficou famosa a picanha do Dá Licença”, conta a jornalista.


Apaixonado por futebol e um gremista fanático, ele foi embaixador do Grêmio em Londrina e recebia os jogadores do time que vinham para a cidade. O gosto pelo futebol também passou para o LEC (Londrina Esporte Clube), já que foi da diretoria do clube por alguns anos. “Ele sempre jogou muito futebol como amador, com os amigos”, destaca.


Para a filha, o principal aspecto que marca toda a trajetória do pai é o gosto pelo empreendedorismo e por receber as pessoas, o que se refletiu no sucesso e nos clientes fiéis dos restaurantes. “Ele era muito brincalhão, muito piadista, muito carismático. Era uma pessoa que muita gente gostava”, afirma.


Apesar do amor pelo Rio Grande do Sul e pelo Grêmio, Londrina era a terra de Enio Sehn. “Ele lia a Folha de Londrina todo santo dia”, conta a jornalista, sobre o amor que o pai tinha pela cidade, citando que ele lia primeiro a Folha de Londrina e só depois o Zero Hora, jornal da capital gaúcha.


Em relação à saúde do pai, ele tinha diabetes e, recentemente, enfrentou um derrame que o deixou mais debilitado. Internado há duas semanas no Hospital da Unimed, ele contraiu uma pneumonia e faleceu no final da noite deste domingo, por volta das 23h, aos 84 anos. O velório de Enio Sehn começou às 8h desta segunda-feira (4) e deve seguir até às 17h, no Parque das Oliveiras, onde ele também será sepultado.


Carla Sehn afirma que o legado que o pai deixa é o de amor por Londrina, a cidade em que ele construiu a vida e a família. “Ele sempre teve uma visão muito positiva das coisas, ele tinha aquele lado empreendedor em que sempre achava que dava para as coisas melhorarem e crescerem. Ele tinha muito orgulho de Londrina”, finaliza.


Os amigos


Um dos grandes amigos de Enio Sehn, JB Faria, diretor da Paiquerê 91,7, conta que o conheceu pouco tempo depois que ele chegou em Londrina, quando ele ainda era gerente financeiro. O radialista destaca o apreço que o amigo tinha pelo rádio e, claro, pelo futebol, em especial por seu amado Grêmio e pelo Londrina Esporte Clube.


“A gente trocava muitas ideias sobre Londrina. Ele era um cidadão que veio para cá e assumiu Londrina de uma forma que discutia e brigava por tudo”, afirma o radialista, sobre o amor do amigo pela cidade que o recebeu de braços abertos.


“Ele teve uma vida ligada à cidade, uma vida participativa com tudo o que tinha na cidade. O Enio é um grande amigo, uma grande figura que a gente reverencia por sua passagem extraordinária na cidade e por ter adotado Londrina”, finaliza.


A jornalista Lia Mendonça destaca a presença que o amigo tinha em Londrina, apesar de não ter nascido aqui. “Ele era um gaúcho totalmente pé-vermelho. Sabe aquela pessoa que chega na cidade e se envolve de corpo e alma nas atividades, no esporte, comunicabilidade, na gastronomia, sendo que não era a área dele e, de repente, ele enveredou por este ramo e deu muito certo”, conta.


Mendonça afirma que o amor que ele nutria por Londrina foi algo que sempre chamou sua atenção, já que sempre foi uma figura marcante na cidade. “Ele chamou a atenção da cidade. Era um londrinense por adoção e de coração”, garante a amiga.


Amigo de Enio Sehn por mais de quatro décadas, o colunista da Folha de Londrina Oswaldo Militão relembra a famosa picanha do Dá Licença, prato mais famoso do restaurante e que ajudou a construir uma história de sucesso. O nome do estabelecimento, segundo ele, vem desde a primeira unidade, que era muito pequena e os clientes precisavam pedir licença para chegar até as poucas mesas que existiam ali.


“Ele foi uma das melhores pessoas que eu conheci. Um baita coração e sempre atencioso com todo mundo, o que ele passou para os filhos e netos”, afirma o jornalista, citando o nome do filho, Enio Junior, que vem dando continuidade ao trabalho feito pelo pai no restaurante Dá Licença.

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