Tradicional evento gastronômico
O radialista Jairde Antonio Prata, o Tatinha, de 85 anos, morreu nesta terça-feira (23) após sofrer um mal súbito enquanto dirigia em Londrina. A morte foi confirmada por JB Faria, na Paiquerê 91,7, emissora onde o repórter atuou por décadas como setorista do Londrina Esporte Clube.
“Teve um mal súbito, bateu o carro. Foram ver, era o Tatinha. Lamentamos por tudo o que ele representa e representou. Era o repórter esportivo número um da cidade de Londrina, meu amigo há mais de 50 anos. Uma vida ligada à rádio Paiquerê”, disse JB Faria ao anunciar o falecimento. Natural de Nova Europa (SP), Tatinha mudou-se ainda criança para Londrina, cidade em que construiu toda a sua trajetória profissional.
Tatinha entrou no rádio na adolescência, como rádio-escuta, e em 1956, aos 16 anos, passou a acompanhar os treinos do Londrina, então recém-fundado. Trabalhava em um banco, mas conciliava a rotina com o início da carreira no jornalismo esportivo, que o acompanharia por toda a vida. Atuou nas rádios Londrina e Clube até chegar, em 1967, à Paiquerê AM, hoje Paiquerê 91,7, onde se consolidou como um dos principais setoristas da história do clube.
Ele esteve presente no primeiro jogo oficial do Londrina, em 24 de junho de 1956, no empate por 1 a 1 com o Corinthians de Presidente Prudente. Em nota, o Londrina Esporte Clube destacou esse marco e lamentou sua morte.
“O Londrina Esporte Clube está de luto com a notícia do falecimento do radialista Jairde Antônio Prata, ‘Tatinha’. Aos 16 anos, ele esteve no primeiro jogo da história do clube e acompanhou, noticiando, o dia a dia do LEC até 2017, quando aposentou o microfone. Nossas sinceras condolências à família, aos amigos e aos ouvintes. Que sua memória seja lembrada com respeito, gratidão e carinho”, escreveu a assessoria do clube.
Além da cobertura do Londrina, Tatinha participou das transmissões das Copas do Mundo de 1990 e 1994, ampliando sua projeção no rádio esportivo.
“Um ser humano espetacular e um grande profissional. Sempre ouvia o Tatinha, e quis a vida que eu me transformasse em radialista. Conheci o Tatinha quando estava começando minha carreira em Londrina, e eu ficava lá com ele, perguntando, enchendo o saco. Entrei na Paiquerê com a ajuda do Tatinha. Minha primeira Copa do Mundo foi por causa dele, em 1998, quando abriu mão de ir e disse para eu me preparar. Foi também meu padrinho de casamento. Mestre Tatinha. Fica um buraco no coração”, lembrou Reinaldo Furlan, ex-companheiro de Tatinha na Paiquerê.
"O Tatinha era um cara muito sério, muito metódico para trabalhar, dedicado. Tudo o que ele fazia era com dedicação. Se perguntassem ao Tatinha se ele preferia ir para a Copa do Mundo ou cobrir o Londrina, ele escolheria o Londrina. Tanto que ele sempre preferiu ficar em várias Copas que fomos", disse Jota Mateus, narrador e apresentador da Paiquerê 91,7 e um dos maiores parceiros de Tatinha no rádio.
"Fora esse lado profissional, o Tatinha era administrador de uma clínica, e ele ajudava todo mundo com exames, consultas, as pessoas que não tinham dinheiro ou tinham dificuldade. Ajudava os colegas de profissão, o pessoal do futebol. Tinha um coração de ouro. Foi um dos melhores amigos que eu tive no rádio", relembrou Mateus.