Londrina

Homem que proferiu ofensas racistas permanece preso em Londrina

13 mai 2026 às 19:04

Permanece detido o homem preso no sábado (9), em Londrina, após ser gravado proferindo ofensas de cunho racial contra um comerciante que almoçava em um estabelecimento na zona leste. No mesmo dia, após passar por audiência de custódia, o Judiciário decidiu por transformar sua prisão provisória em preventiva (sem prazo para terminar). Tanto a vítima, o comerciante Denivaldo Marcos Pinto, quanto seu advogado, apostam em condenação criminal e cível como formas de penas educativas contra o racismo.


A situação ocorreu durante o horário de almoço, na última sexta-feira (8). De acordo com Denivaldo, conhecido como Dener, ele almoçava em um restaurante da zona leste quando começou a ser ofendido por João Vitor Paulino Rosa Dias.


“Chegou esse cidadão [Dias], que eu não conheço, com uma latinha na mão e foi dar a mão para o pai dele. O senhor não deu a mão pra ele e começou ser ofendido pelo rapaz, dizendo que o pai ‘é um corno, desgraçado’. O pai e a mãe se levantaram e foram embora. Então, chegou meu prato e, quando eu fui colocar o garfo na boca, olhei para o lado e ele estava me olhando”, relata Dener.


Neste momento, teriam começado os xingamentos, segundo a vítima, que citou algumas das ofensas de cunho racial – a reportagem optou por não citá-las para evitar a propagação dos termos ofensivos. A situação passou a ser registrada em vídeo por outros clientes, enquanto câmeras de segurança também gravaram o ocorrido.


Dener afirma que suportou 40 minutos de ofensas. A certo momento, o suspeito avançou sobre ele para agredi-lo fisicamente, mas foi contido por outros clientes. O próprio suspeito, então, sugeriu chamar a polícia, que foi acionada.


O rapaz entrou no veículo dos pais e permaneceu no interior, até que os policiais chegaram. Ele, então, teria saído do carro e apontou para Dener, identificando-o, novamente com termos racistas. Neste momento, recebeu voz de prisão em flagrante por injúria racial.


O rapaz foi levado para a Central de Flagrantes, onde também foi indiciado por falsidade ideológica, já que teria fornecido a identidade do irmão como sendo sua. Neste momento, foi possível levantar outros crimes e infrações pelas quais o suspeito responde.


Na audiência de custódia, a prisão provisória foi convertida em flagrante porque o juiz Bruno Régio Pegoraro considerou que, além da gravidade das injúrias raciais, a apresentação de falsa identidade pode indicar o não cumprimento das medidas judiciais diversas à prisão preventiva. “Quem, em tese, se apresenta ao Estado com nome falso, justamente no momento em que sua liberdade está sendo examinada, revela risco concreto de não se submeter regularmente aos atos futuros do processo” despachou o magistrado.


O caso foi encaminhado à 25ª Promotoria de Justiça de Londrina, que despachou nesta terça-feira (12) pelo encaminhamento do caso para a 24ª Promotoria, especializada, entre outros, na proteção aos direitos humanos.


A reportagem não conseguiu contato da defesa de João Vitor Dias. O espaço permanece em aberto para manifestações.


Espera por justiça

Após passar pelo episódio, Dener agradece pela sorte de não estar na presença da mulher e dos dois filhos, um homem de 21 anos e uma adolescente de 15 anos, ambos esportistas. Aos 55 anos de idade, ele admite que já soube de episódios como este, mas nunca havia passado por nada parecido. “A gente fica sem reação. Rapaz, é uma coisa que eu falei para mim mesmo: ‘Não é possível, cara’, mas aconteceu comigo. Simplesmente fui almoçar, eu queria só comer e ir embora, entendeu? Aí chegou esse cidadão e falou tudo o que falou”, recorda.


Para ele, casos como esse devem ter repercussão para levantar o debate na sociedade. Já em sua própria situação, ele espera ver seu agressor preso. “Eu quero justiça, que o caso ande. Não pode deixar acontecer isso, não é admissível. Não entra na minha cabeça [o que aconteceu] por causa da minha cor. Não pode existir essa discriminação, de jeito nenhum”, desabafa.


O advogado Alexandre Aquino também espera a condenação criminal e cível, por danos morais, de Dias. “As provas são robustas. Ele vai permanecer preso, para ser exemplo para seus pares”, disse.


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