A cidade de Londrina, assim como muitas outras do Paraná, registrou o dia mais frio do ano. Os termômetros do Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) marcaram 4,6° C nesta segunda-feira (11).
Apesar da previsão do tempo indicando a queda nas temperaturas, a onda de frio pegou muita gente desprevenida e de surpresa, sendo que muitos correram para as lojas para garantir um pijama quentinho ou uma blusa de frio para os filhos. Para os comerciantes, a expectativa é de um movimento bom ao longo de toda a semana.
Acompanhada de dois dos três filhos, a técnica de enfermagem Jéssica Aparecida Brasiliano Costa foi até uma loja na Rua Sergipe, na região central, para garantir as jaquetas de inverno para os filhos. Entre as diversas opções, eles optaram pelas mais bonitas, mas, também, pelo que cabia no bolso.
Ela afirma que sempre compra antes do inverno chegar, o que geralmente rende uma economia, mas este ano não deu tempo. “Semana passada estava calor e agora esse frio do nada”, reclama, citando ainda o "pesadelo" que é ir para o trabalho de motocicleta no frio.
Apesar disso, ela adianta que os preços não estão tão altos. “Eu achei que iria estar mais caro. Está ok”, conta, acrescentando, porém, que cada filho vai poder escolher apenas uma blusa de frio. “Técnico de enfermagem não ganha tão bem assim”, brinca. Os filhos têm idades de 11, 13 e 17 anos.
'Não tem jeito'
Andressa Priscila, 29, também estava com uma cesta cheia de peças de roupa e sapatos para os três filhos, que frequentam a escola pela manhã e precisam de um agasalho quentinho. “Não tem jeito, tem que comprar meia-calça, conjuntos, tênis”, conta. Para não pesar tanto no bolso, ela explica que a solução é ir comprando aos poucos e conforme a necessidade das crianças.
Para ela, os preços não estão muito convidativos. “Eu achei caro porque o inverno está começando agora. Vamos ver se vai dar uma abaixada depois”, opina. Apesar disso, ela afirma que, como um "‘bom brasileiro", tem que “dar os pulos” para garantir uma roupa quentinha.
Morando há dois anos em Londrina, Priscila afirma que as temperaturas costumam ser um pouco mais baixas na terra natal, Guarapuava (Região Cental), mas afirma que também não dá para fugir do frio do Norte do Paraná.
Vitrines recheadas
Para os comerciantes, o inverno é uma época boa para as vendas. Em muitos comércios, as vitrines estão recheadas de peças da estação; em outros, as araras com blusas ficam logo na entrada, como forma de convidar a clientela a entrar e aproveitar os preços.
Falando em preço, o comerciante Nain Mohamed Geha afirma que conseguiu manter os preços do ano passado, principalmente por serem peças importadas e o valor do dólar ter recuado um pouco.
Para esse ano, ele apostou em peças mais pesadas para as mulheres, com pelos, nos modelos mais curtos ou longos, o que para o frio de Londrina ele garante que é uma boa opção, já que não é necessário ficar colocando tantas camadas de roupa. “No masculino, nós temos vários tricôs, flanelas e, claro, jaquetas. Roupas masculinas não variam tanto”, explica.
Assim como muitos dos outros lojistas, Geha lamentou a chuva registrada no sábado (9), que não deu trégua durante todo o dia e acabou afastando uma parte dos clientes. “Apesar da chuva, tinha o dia Dia das Mães e o frio, que motivou as pessoas a procurarem as lojas de confecção”, complementa, citando que, pelo clima, considera que o movimento foi satisfatório.
O comerciante afirma que está preparado e tem bastante estoque de inverno. “A previsão é de dois ou três dias de frio intenso, então vamos tentar aproveitar esses dias”, garante. Para ele, o londrinense não tem o perfil de quem fica estocando muitas blusas de frio, já que a temperatura fica amena na maior parte do ano.
Expectativa para a semana
No comércio em que Valmir Ignácio, 64, é gerente, as peças de inverno ainda não saíram muito, mas a expectativa é que ao longo da semana o movimento cresça em busca das jaquetas, parkas e os bobojacos, aqueles agasalhos no estilo puffer, que são leves e impermeáveis. “É o que mais vende nessa época do ano”, explica. No geral, a expectativa do gerente é boa para o inverno de 2026, que deve superar o ano passado nas vendas.
Ele também reclama do clima chuvoso registrado no último sábado, o que fez com que eles alcançassem pouco mais de 30% da meta estabelecida para o dia. “Foi uma lástima”, afirma, citando que, nesses casos, costumam até mesmo oferecer o ‘delivery’ de peças para a clientela mais fiel para aumentar as vendas. “Tem que ir sempre inovando”, garante.
Ahmed Magdi é proprietário de uma loja de roupas na Rua Sergipe e afirma que a cada ano as vendas vêm diminuindo, assim como as metas estabelecidas. Em 2024, a meta era vender mais de R$ 250 mil; no ano seguinte, em 2025, a expectativa caiu para R$ 150 mil. Para 2026, a meta está ainda mais baixa.
Para ele, essa é uma tendência internacional, em que o preço de tudo vem subindo ano após ano, o que faz com que as pessoas foquem no que é mais essencial, como a comida. A reportagem conversou com o comerciante ainda no início da manhã, por volta das 9h, o que era cedo para prever como seria o movimento no resto do dia.
Para atrair a clientela, as peças de inverno contam com preços acessíveis, com calças a partir de R$ 30 e blusas a R$ 20. “São peças para o dia a dia”, explica, citando que também há opção para outras ocasiões, com mais qualidade, mas ainda com preço justo.
'Frio forte está vindo aí'
Em uma loja voltada para a venda de cama, mesa e banho, uma das vendedoras, que não quis se identificar, conversou com a reportagem e contou que a venda de cobertores e edredons foi boa na semana passada e a expectativa é de que o movimento se repita nesta semana, com a chegada definitiva do frio. “Nós vendemos bem e a esperança é de continuar o movimento”, afirma.
Entre as escolhas da clientela, os cobertores mais peludinhos são a preferência, seguido daqueles que querem algo mais pesado, como os os edredons, para garantir uma noite quente e confortável. “Nessa época a gente precisa dormir bem, se não é difícil aguentar o dia”, aconselha.
Outro proprietário animado com as vendas é Nasser Nasser, que garante que essas mudanças bruscas na temperatura levam muitos clientes a procurarem as roupas tradicionais da época. “A esperança é de que aumente mais ainda em decorrência desse frio forte que está vindo por aí”, adianta. Na loja, é possível levar peças de inverno a partir de R$ 10, de acordo com o gosto de cada cliente.
Com a previsão do tempo já indicando uma queda nas temperaturas neste início de semana, ele notou que muitos já optaram por levar peças de inverno para presentear as mães. “Tudo casou. O clima combinou com o evento do Dia das Mães, então alguns clientes optaram por presentes com jaquetas ou blusas de manga longa”, comemora.
Chuva
De acordo com o Simepar, o frio perde intensidade a partir da tarde de quarta-feira (13), quando as temperaturas ultrapassam os 20°C na maioria das regiões do Estado. As condições atmosféricas mudam novamente a partir de quinta-feira (14). “Teremos já condição de chuva nas áreas mais próximas da fronteira com o Paraguai e de divisa com o Mato Grosso do Sul, ou seja, Noroeste e Oeste do Paraná. As pancadas de chuva ocorrem entre a tarde e noite de quinta”, afirma Lizandro Jacobsen, meteorologista.
Nas outras regiões paranaenses, na madrugada de quinta para sexta-feira (15) a chuva também pode ocorrer, de forma isolada e com menor intensidade. As temperaturas seguem em elevação até o fim de semana. (Com Agência Estadual de Notícias)
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