'Mestre cachaceiro'
A Microdestilaria Bassi (Santa Mariana- Norte) nasceu de ex-cafeicultores que precisavam contornar a crise dos anos 1970 e a geada de 1975. Evandro Silva Eto, da microdestilaria, conta que a história começou em 1980, quando o patriarca Paulo Bassi fundou a empresa para buscar nova fonte de renda. Ele e a esposa (neta do fundador) assumiram 100% do negócio desde 2016. Evandro explica que quem produz a cachaça é chamado de “mestre cachaceiro” – um termo muitas vezes usado de forma pejorativa, mas que designa o profissional que fabrica a bebida, assim como o cervejeiro.
A destilaria trabalha com cachaça branca e envelhecida em madeiras brasileiras (amburana, bálsamo, cabriúva e cerejeira) e estrangeiras (carvalho americano e francês). “A partir de um ano você já pode vender como cachaça envelhecida. A partir de três anos, como cachaça premium”, detalha Evandro. O tempo pode chegar a 12, 15 ou 20 anos, similar aos whiskies single malt.
Degustação
Sobre o processo artesanal, Evandro destaca a diferença entre destilação industrial (em colunas) e a artesanal (em alambique de cobre ou pot still). “No destilador artesanal você consegue separar a cabeça (descartada por conter metanol e álcoois voláteis nocivos), o coração (parte nobre) e a cauda (usada para álcool combustível ou cosméticos)”. Quanto à filtragem, ele explica que não é obrigatória: “A própria destilação já traz o produto praticamente filtrado. A filtragem serve apenas para retirar partículas de madeira após o envelhecimento em barris”.
Para degustar bem uma cachaça, Evandro recomenda colocar uma pequena porção na boca, deixar diluir sem agredir as mucosas, e no segundo gole avaliar sabor, amargor e doçura
Diferencial
No Rancho Urutau (Guaraniaçu, no Oeste do Paraná) os produtores cultivavam grãos, mas acabaram destilando cachaça e investiram no turismo rural. “Partimos para a produção da cachaça para ter um diferencial na propriedade. Estamos indo para o turismo rural, são vários ramos para agregar valor”, explica Sérgio Accorsi, do Rancho Urutau.
Sérgio oferece cachaça branca e envelhecidas: carvalho (três anos), amburana (um ano) e grápia (quatro anos). A cachaça mais vendida na feira é a de carvalho, e o licor de butiá lidera entre os licores.
Sérgio dá a dica de degustação: “Saborear, segurar a bebida um pouco na boca para sentir o aroma. Nossa cachaça não é ácida, a pessoa não sofre para ingerir”.
Renda principal
Jefferson Faustino, proprietário da Cachaçaria Sítio Alvorada, localizada em Quedas do Iguaçu (Oeste do PR), também integra a mostra de produtores artesanais. Ele conta que a história da cachaça está na família de sua esposa há 40 anos, quando o avô saiu do Rio Grande do Sul e foi para Quedas do Iguaçu. “Eu e ela assumimos o alambique há oito anos. Iniciamos um novo empreendimento, com alambique todo novo, e esta será a nona safra”, explica. Antigamente, a bebida era destinada ao consumo próprio e para vizinhos e amigos, consorciada com o plantio de soja e grãos. Hoje, a cachaça se tornou a renda principal da família.
O Sítio Alvorada trabalha com cachaças envelhecidas em barris de amburana, carvalho, sassafrás, cabriúva e jatobá. O tempo médio de envelhecimento no carvalho é de dois anos, mas há uma safra especial com oito anos no barril de carvalho, que participou da Expo Cachaça em Minas Gerais e conquistou a medalha de mérito sensorial. Na amburana, o envelhecimento médio é de um ano. A linha de licores inclui sabores de figo, menta, banana, jabuticaba e canelinha.
Sobre a arte de degustar, Jefferson orienta: “As pessoas pegam uma pequena quantidade e já engolem. Você tem que pegar um golinho, segurar na boca um pouquinho, aí depois engole. Vai mudar totalmente o sensorial, você vai degustar melhor.” Ele explica que a queimação na garganta muitas vezes está relacionada à forma de beber – ingerir rápido sem sentir os aromas. Para os licores, a recomendação é servi-los bem gelados, podendo até ir ao congelador (o teor alcoólico impede o congelamento).
'Capital da cachaça'
No pavilhão da Expo Negócios e Varejo, Ademilton Bispo da Silva, vendedor do Empório Paladar, apresenta cachaças originárias de Salinas (MG), cidade conhecida como a “capital da cachaça” e que lidera a guerra da melhor cachaça do Brasil. O destaque fica por conta da cachaça velha, envelhecida por dez anos em barril de carvalho e tratada com carvão vegetal para retirar as impurezas da cana. “A hora que você tomar a cachaça, ela não queima a garganta. Ela desce suave na sua garganta”, garante. Há também a cachaça amarela, com seis anos de envelhecimento e também tratada com carvão vegetal.
A linha de cachaças saborizadas é produzida com a própria fruta em curtição, não apenas essências. Os sabores disponíveis incluem café, abacaxi, banana, mel, amburana (que dá um sabor mais madeirado e também é usada medicinalmente), mel com amburana, cravo e canela.
Além das cachaças, o Empório Paladar também comercializa licores de amarula, jabuticaba, maçã verde e milho verde.
Sobre o segredo para beber bem, Ademilton diz: “Tudo é alimentação. Se você não tiver alimentação boa, fica bêbado fácil. E tem que ter moderação.” Ele recomenda o uso de copo de dose para apreciar aos poucos. O Empório Paladar participa da Expo Londrina há mais de dez anos, e Ademilton avalia a experiência como muito positiva. “Londrina é a melhor. Você sempre vê pessoas diferentes, cada ano é uma expectativa nova.”
(Com informações da SRP)