Londrina

Bloco Bafo Quente denuncia atraso no pagamento de cachê do Carnaval 2026 em Londrina

23 abr 2026 às 18:34
O bloco carnavalesco Bafo Quente utilizou suas redes sociais, nesta quinta-feira (23), para denunciar a falta de pagamento dos valores acordados na contratação para o Carnaval 2026. O grupo afirma que, do valor total de R$ 43.060,00, foram pagos apenas R$ 10 mil.

A nota ressalta que, apesar das "dezenas de tentativas de negociação e flexibilização" para a quitação do montante restante de R$ 33.060,00, as negociações não avançaram e que, por isso, acionará seu "departamento jurídico".

"Buscamos conduzir a situação de forma responsável, aberta ao diálogo e priorizando soluções que evitassem impactos aos envolvidos [...] Reforçamos que esta comunicação tem como objetivo dar clareza à situação em respeito a todos que fizeram parte do projeto, especialmente aos profissionais que ainda aguardam a regularização de seus recebimentos", reforça.


Tradicional na folia londrinense, o bloco Bafo Quente participou do Carnaval de rua da cidade, com apresentações no Anfiteatro do Zerão, nos dias 15 e 17 de fevereiro. Além dos custos operacionais da equipe principal, o comunicado afirma que o dinheiro do pagamento seria destinado aos artistas convidados nas apresentações de domingo (15). São eles o DJ Ed Groove e a banda Beca Brinca.


No texto da denúncia, nenhum responsável pelo pagamento é citado diretamente. Porém, em entrevista ao Portal Bonde, um dos organizadores do grupo, Guilherme Rossini, explica que, após um acordo com a Secretaria de Cultura, o pagamento deveria ter sido feito por um representante da organização responsável pela praça de alimentação do evento. No caso, a associação envolvida seria a ADETUNORP (Agência de Desenvolvimento Turístico do Norte do Paraná).


"Como o chamamento público para o patrocínio dos artistas não conseguiu avançar, a prefeitura acordou conosco que a associação financiadora da praça de alimentação também deveria arcar com os custos das atrações. Originalmente, o valor deveria ter sido pago antes das apresentações, mas apenas uma parcela foi regularizada desde então. Decidimos soltar essa nota depois de dois meses de incansáveis negociações", compartilha o responsável.


Rossini detalha que, ao comunicar o caso à Secretaria de Cultura, organizadora do projeto, a situação não teve grandes mudanças. A reportagem questionou a Prefeitura de Londrina, que, em nota, confirmou a ligação financeira da ADETUNORP e destacou que a mesma atribuiu à produtora CCAgência a responsabilidade do contrato.


A Secretaria de Cultura reforça que as partes envolvidas afirmaram não haver falta de pagamento, mas que a empresa responsável apresentou “uma proposta de quitação parcelada do valor restante”.


Através de um comentário na publicação do Bafo Quente, a CCAgência expressou reconhecer o sentimento de "frustração" gerado pelo atraso e que a empresa se compromete em encontrar uma solução para o imbróglio. A empresa reforçou também a falta de responsabilidade da administração municipal no pagamento em questão.


"Informo que já foi formalizado um compromisso por escrito, devidamente assinado, e encaminhado ao advogado do bloco, visando a celebração de um acordo", conclui o comunicado.


Procurada, a ADETUNORP informou que não era responsável pelo pagamento do cachê dos músicos, mas apenas pelo “planejamento, organização, montagem, desmontagem, segurança e limpeza da Praça de Alimentação do Carnaval 2026”.


Confira a nota completa da Secretaria de Cultura:

A Secretaria Municipal de Cultura (SMC) esclarece que, por meio de edital lançado pela pasta, a Agência de Desenvolvimento Turístico do Norte do Paraná (Adetunorp) saiu vencedora da licitação para explorar a praça de alimentação e os artistas do Carnaval de Londrina 2026. 


Direito este que foi repassado à produtora de eventos CCAgência, que, por sua vez, em uma negociação estritamente privada, contratou o Bloco Bafo Quente e outras atrações para o carnaval da cidade, que se mostrou um sucesso total de público.


Vale ressaltar que, conforme já divulgado pelas partes, não há falta de pagamento, mas uma proposta de quitação parcelada do valor restante. Como ente público que viabilizou a festa por meio de uma licitação, que seguiu todos os requisitos legais, a Secretaria reafirma seu compromisso com a Cultura e espera uma solução negociada e amigável para a questão.


(Atualizado às 14h50 do dia 27 de abril)


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