Londrina

Anne Moraes vai depor ao MP sobre denúncia de 'rachadinha' na CML

12 fev 2026 às 17:28

A vereadora Anne Moraes (Avante) foi notificada pela 26ª Promotoria de Justiça para prestar depoimento nesta sexta-feira (13), no âmbito do PIC (Procedimento Investigatório Criminal) que apura denúncia de que a parlamentar teria exigido que um assessor repassasse parte do salário para pagar um de seus advogados, o que pode caracterizar a prática de “rachadinha”. Se confirmada, a prática pode configurar o crime de concussão, que consiste na exigência de vantagem indevida em razão da função pública.


Esta é mais uma investigação contra a vereadora, que já responde a uma ação civil pública que apura o suposto uso de assessores de gabinete como advogados particulares. A denúncia de improbidade administrativa chegou primeiro à CML (Câmara Municipal de Londrina), na forma de representação, e depois passou a tramitar também no MPPR (Ministério Público do Paraná), que ajuizou a ação. Ela nega as irregularidades.


A Promotoria teve acesso a prints de conversas do ex-assessor com um colega da CML, nas quais ele relata receio de ser exonerado pela vereadora. “Falou que ia me exonerar, mas que depois de 30 dias me chamava de novo”, escreveu o ex-assessor. “Ela queria que eu rachasse meu salário com o advogado dela.”


Em depoimento ao promotor Renato de Lima Castro, em dezembro de 2025, o ex-assessor confirmou a situação. “No meio da sessão, ela disse: ‘Vamos lá fora conversar’. A gente foi, e ela falou: ‘Estou precisando de um valor e vou precisar te exonerar, porque preciso do seu salário. Ou eu te exonero e, daqui a 30 dias, como eu gosto de você e do seu trabalho, você volta por um valor menor, ou você continua como está seu salário, mas 50% vai ter que ir para o advogado’”, relatou o ex-assessor, que garantiu ter recusado a proposta. Ele foi demitido pouco tempo depois.


O servidor trabalhou no gabinete de Anne Moraes entre 18 de agosto e 1º de dezembro de 2025, com salário bruto de R$ 8 mil.


A FOLHA também teve acesso ao depoimento de um assessor parlamentar que foi procurado pelo ex-funcionário do gabinete de Anne Moraes. Ele confirmou que a troca de mensagens sobre a suposta exigência ocorreu no dia 12 de novembro de 2025.


Outro assessor parlamentar da Câmara afirmou que também foi procurado pelo ex-assessor e ouviu o mesmo relato. “Ele me chamou para conversar e falou que a Anne tinha oferecido duas propostas: baixar o salário dele ou ajudar a pagar um advogado”, disse em depoimento.


No despacho que notificou a vereadora, o promotor ainda cita o registro, nas redes sociais de Anne, de um encontro com um advogado nas dependências da Câmara, no dia 6 de novembro de 2025, cerca de uma semana antes da troca de mensagens do ex-assessor que deu origem à investigação. Segundo o promotor, o episódio “corrobora o estreito vínculo profissional existente entre ambos”.


Outro lado


A FOLHA entrou em contato com Anne Moraes e com sua defesa, mas não obteve retorno até o fechamento deste texto sobre a notificação para prestar depoimento. Em manifestações anteriores, a vereadora classificou como “absolutamente inverídica” a afirmação de que teria exigido parte do salário do assessor.


“Minha conduta sempre foi e continua sendo transparente, legal e ética. Caso exista qualquer acusação formal, farei o que sempre fiz desde que fui eleita: buscarei acesso aos autos e exercerei plenamente meu direito de defesa. Permanecerei à disposição para esclarecimentos dentro dos limites da responsabilidade institucional”, disse a vereadora.


Mudança de partido


Anne Moraes confirmou, na quarta-feira (11), sua mudança partidária, deixando o PL, legenda pela qual foi eleita em 2024, e filiando-se ao Avante. O projeto da parlamentar é disputar uma vaga como deputada federal nas eleições de outubro.

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