A união de empresários da avenida Duque de Caxias fez com que a GCM (Guarda Civil Municipal) de Londrina organizasse, na tarde desta quarta-feira (4), uma operação para combater o tráfico de drogas em pontos já frequentados por usuários da região central.
O Portal Bonde acompanhou os agentes, liderados pelo secretário de Segurança de Londrina, Felipe Juliani. A GCM inicialmente averiguou uma mansão abandonada na avenida Santos Dumont, onde foram encontrados seis moradores de rua. A ação, que contou com a ajuda do canil, não apreendeu entorpecentes dentro do mocó.
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Em seguida, parte da equipe abordou frequentadores de um bar localizado entre a avenida Duque de Caxias e a rua Maranhão. Pelo menos dez pessoas foram revistadas, mas nada ilícito foi encontrado. Mais tarde, 20 pacotes de crack foram localizados na rua Pitágoras, nos entornos da avenida Dez de Dezembro.
Apelo
De acordo com Juliani, toda a movimentação faz parte de um apelo feito por comerciantes da região central, que notaram nos últimos dias o aumento de furtos e roubos no Centro de Londrina.
“Recebemos várias denúncias e temos um bom contato com o núcleo da Duque de Caxias. É a sociedade se organizando para cobrar do poder público quando há algum problema. Isso é muito importante para nós”, afirma.
O secretário explicou que, a partir dessas demandas, a pasta, juntamente com a Guarda Municipal, consegue direcionar melhor as equipes.
“Quando essas demandas chegam até nós, podemos dar atenção e resposta. Alguns furtos voltaram a ser registrados aqui na região. Entrei em contato com a PM para que eles possam também averiguar não só a região da Duque, mas tudo em volta”, diz.
Segundo ele, os agentes mapearam diversos pontos utilizados para a venda de drogas na região central. A operação, diz Juliani, visa combater o tráfico que, defende ele, é o que instiga a prática de outros crimes.
“Esses pequenos delitos servem para alimentar o tráfico que ocorre aqui em volta. Há ordens de serviço para que cada viatura faça buscas em localizações estratégicas.”
Conversa com empresários
Antes do início da ação, Juliani conversou com empresários da região, que relataram os principais problemas enfrentados no dia a dia.
Durante o encontro, comerciantes voltaram a levantar a discussão sobre a sensação de impunidade, momento em que o secretário criticou a ausência de leis mais rígidas.
“A Guarda Municipal prendeu 1.169 pessoas no ano passado, isso fora a PM. É muita gente. Como ainda há tantos criminosos? Cerca de 95% desses caras já têm passagem pela polícia. A impunidade acaba gerando isso.”
Ele destacou que Londrina conta atualmente com cerca de 300 agentes da Guarda Municipal, mas reconheceu que o maior número de ocorrências é registrado no período noturno, quando os comércios estão fechados e as ruas ficam mais vazias.
Empresários apontaram o Centro POP (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua) como um ponto sensível da região, alegando que a concentração de pessoas em situação de rua acaba refletindo em problemas de segurança no entorno.
Problema é antigo
José Antônio Bernardi, proprietário da empresa de eletrônicos Colitec, localizada entre a avenida Duque de Caxias e a rua Santa Catarina, afirma que o problema é antigo.
“Estou aqui há 40 anos e tenho participado desse movimento junto ao núcleo da Duque de Caxias, ligado ao pessoal da Acil [Associação Comercial e Industrial de Londrina], que vem nos assessorando e nos apoiando. Os problemas são diversos, como pequenos furtos e delitos”, relata. Segundo ele, a insegurança se intensifica durante a madrugada.
“O alarme da minha loja está tocando regularmente pela noite. Eu suspeito que eles estão mexendo no telhado. Por meio do núcleo conseguimos esse monitoramento. Essa movimentação [da GCM] vem exatamente disso. O nosso grupo é bem forte. Não fazemos nada sozinhos, mas sempre em união.”
Carlos Euzébio, dono da Dismafe Ferramentas, que atua há 36 anos no mesmo endereço, conta que os problemas são recorrentes, principalmente no período noturno.
“Sempre tivemos problemas aqui, principalmente à noite. Melhorou um pouco, mas agora está voltando. Existem furtos maiores e pequenos. Ano passado a minha loja foi afetada por um dos grandes, mas a PM prendeu os envolvidos”, relembra. Ele destaca, ainda, os prejuízos causados por furtos de cabos e fios.
“Esses furtos deixam os nossos comércios inoperantes. Algumas lojas chegaram a ficar até três dias sem funcionar por causa disso. Já basta a luta que temos que enfrentar pela sobrevivência”, desabafa.