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Salada de ouro

Produtor e consumidor pagam as contas da crise

Redação - Folha de Londrina
04 set 2003 às 17:15

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Cada vez menos as hortaliças chegam à mesa da família brasileira. Mesmo com a ostensiva propaganda de nutricionistas e médicos, os preços afastam a dona de casa da alimentação saudável baseada em verduras e legumes.

Os preços dos produtos, desde sua origem, na plantação, até sua exposição em gôndolas de supermercados, sofrem uma variação de 200%. O cálculo é do presidente da Associação Norte-Paranaense de Horticultores (Apronor), Antônio Katsutoshi Koga, que reúne 1.300 produtores associados em 50 municípios da região de Londrina. ''As verduras estão muito caras para o consumidor'', reconhece ele.

Mas se por um lado os consumidores enfrentam preços altos nos caixas dos supermercados e diminuem a compra de olerícolas (legumes e verduras), devido à forte queda da renda real dos trabalhadores - estimada em 16% nos últimos 12 meses -, por outro os produtores vivem uma situação inversa.

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''O lucro caiu para todos os horticultores. Estamos teimando na profissão'', considera Koga. Para se ter uma idéia, enquanto o produtor recebe R$ 0,50 por um quilo de cenoura, a dona de casa paga R$ 1,49 pelo mesmo em alguns supermercados.


Com uma margem de lucro achatada por aumentos sucessivos de adubos e defensivos agrícolas, além dos aumentos de energia elétrica e de combustíveis, produtores de tomate, cenoura, cebola, pepino, chuchu e abobrinha do Norte do Paraná encolhem a lavoura. ''Para nós, a verdura está com um preço muito baixo'', avalia o produtor de repolho, couve e almeirão em Ibiporã, Isaías Maztrangeli, que chamava clientes para sua banca na Ceasa (Centrais de Abastecimento) em Londrina, na última quarta-feira, dia de grande movimento no local.

Pequenos produtores como Aristides Och dos Santos, de Tamarana, se empregam para garantir a própria sobrevivência em áreas produtoras de trigo e soja - uma das grandes responsáveis pelo crescimento de 18% das exportações brasileiras este ano, de acordo com o Boletim de Conjuntura Econômica, elaborado pelo Ministério da Fazenda. ''Tenho trabalhado por fora'', revela.

Vendendo a caixa de couve-flor a R$ 10,00, Och dos Santos procura atrair a atenção do comprador para seu produto. ''Está muito difícil'', alega o produtor, que no mês passado obteve uma renda bruta de apenas R$ 1 mil para sustentar a família de cinco pessoas e, ao mesmo tempo, investir na produção.


No último verão, sua renda bruta chegou a R$ 4 mil. Pelo terceiro mês consecutivo, o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) divulgou uma deflação nos preços dos alimentos e produtos considerados essenciais. Entre os itens analisados está a batata e o tomate.

Um dos principais fatores para a queda da renda e consequentemente empobrecimento do produtor rural está, segundo Och dos Santos, nos aumentos sucessivos do adubo. Para o presidente da Apronor, o adubo teve o preço aumentado em 500% desde o início do Plano Real, há nove anos. Naquela época, afirma Koga, ''pagavámos R$ 110,00 pela tonelada, hoje o valor está em R$ 600,00''. Esta tem sido a principal reclamação dos horticultores do Norte do Paraná.

A venda de legumes e verduras em supermercados caiu de maneira expressiva nos últimos meses. ''O consumidor não tem dinheiro para comer o suficiente'', avalia o comprador de um supermercado, José Vicenzoto, de Marília (SP), que há mais de uma década vem até a Ceasa de Londrina para abastecer seu mercado no interior paulista.

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Utilizando um sistema de logística, uma equipe faz, no dia anterior à compra, o cruzamento de informações de quatro Ceasas, três delas em São Paulo, para saber o melhor preço. A equipe de compradores adquire o produto da Ceasa com a melhor oferta. ''Já venho com o pedido fechado'', explica Vicenzoto.


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