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Mercado da carne

Paraná bate recorde no abate de bovinos em 2025, aponta IBGE

Lucas Catanho - Especial para o Grupo Folha
03 abr 2026 às 10:06

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Foto: Divulgação/Astra Foods
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O Paraná abateu 1,64 milhão de cabeças de bovinos no ano passado, segundo pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O volume representa recorde da série histórica, com início de apuração em 1997.


Enquanto em 2024 o total de cabeças abatidas no estado atingiu 1,46 milhão de animais, 2025 registrou um aumento de 173,4 mil cabeças, ou 11,8%.

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Considerando a atividade nacional, o aumento foi de 3,24 milhões de cabeças entre 2024 e 2025, ou 8,17%, o que revela um crescimento do Paraná acima da média nacional.


Thiago De Marchi, médico-veterinário do Deral (Departamento de Economia Rural), da Seab (Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento), considera que o resultado expressivo no Paraná é reflexo de alguns fatores, como as exportações de bovinos aquecidas e o apetite externo pela carne brasileira.


“A produção de bovinos de corte no estado não é focada em volume. Apesar da qualidade da produção, o Paraná não é um grande produtor de bovinos de corte”, destaca o técnico.


Entre os principais desafios enfrentados pelos produtores hoje, Marchi destaca principalmente o custo, o que inclui insumos, manejo e transporte.


REFERÊNCIA


Maior frigorífico do Paraná e referência no cenário internacional de carne bovina, o Astra Foods, em Cruzeiro do Oeste (Noroeste), registrou crescimento superior a 4% no abate de bovinos em 2025 na comparação com o ano anterior – foram 220,9 mil cabeças abatidas no ano passado, ante 211,7 mil cabeças em 2024.


“Esse aumento ocorreu principalmente em função da melhoria na gestão da unidade, o que permitiu a consolidação dos volumes de abate e desossa ao longo do dia a dia operacional”, analisa Alysson Freitas, gerente industrial do Astra Foods.


O frigorífico atende o mercado interno com 40% da produção e os 60% restantes são destinados ao mercado externo. “Nossos principais mercados são China, Estados Unidos, Canadá, Chile, Hong Kong, União Europeia e Uruguai.”


DESAFIADOR


O gerente considera que 2026 será bastante desafiador. “Estamos vivendo o ciclo inverso da pecuária, no qual a oferta de matéria-prima [boi] é menor em comparação aos anos anteriores. Houve um abate elevado de fêmeas nos últimos anos, o que reduziu o número de matrizes e, consequentemente, a oferta de bezerros”, analisa.


Freitas acrescenta que, assim como em qualquer mercado, a lei da oferta e da procura prevalece: a escassez de matéria-prima elevou o preço da arroba, que hoje atinge o maior patamar da série histórica dos últimos 10 anos.


“Paralelamente, enfrentamos um cenário altamente competitivo. Grandes importadores do passado, como Irã, Rússia e a própria União Europeia, redirecionaram suas compras para outros países, deixando uma parcela significativa do mercado sem destino para as exportações brasileiras.”


Além disso, ele cita que a China — principal importador do frigorífico — iniciou o ano anunciando uma redução de consumo de 600 mil toneladas em comparação com 2025 e estabeleceu cotas que limitam o volume em 1,1 milhão de toneladas.


“Isso nos obriga a buscar novos mercados ou direcionar esse excedente ao mercado interno, com margens de contribuição significativamente inferiores ao markup esperado”, pontua. Markup é um índice que expressa a relação entre o custo de produção e o preço de venda.


PRODUTOR


O gerente destaca alguns desafios enfrentados pelo gestor ou produtor. “O aumento da oferta interna reduz o preço da arroba e comprime as margens, já que o poder de compra do consumidor brasileiro não sustenta os cortes premium destinados à exportação.”


Outro desafio é a habilitação de plantas para mercados alternativos que operem em dólar, como Estados Unidos, Indonésia e México, reduzindo a dependência do mercado chinês.


Freitas cita ainda a escassez de mão de obra. “O setor frigorífico, em especial, enfrenta resistência histórica, principalmente entre as novas gerações, devido às características do trabalho – jornadas prolongadas, atividades predominantemente em pé, ambiente frio e movimentos repetitivos.”


VBP


Dados do Deral apontam que o VBP (Valor Bruto da Produção) dos bovinos alcançou R$ 4,2 bilhões no Paraná em 2024. O município com maior VBP da bovinocultura é Umuarama (Noroeste). Em 2024, o VBP dessa cultura no município alcançou R$ 300,5 milhões, uma participação de 7,1% da criação no estado.

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Em segundo lugar figura Alto Paraíso (Noroeste), também no noroeste paranaense, com VBP de R$ 196,6 milhões e participação estadual de 4,6%. A Região Noroeste é a maior produtora de bovinos de corte no Paraná.

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