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Ataques dos EUA e Israel ao Irã insuflam revolução, diz iraniana radicada em Londrina

15 mar 2026 às 17:19

A insatisfação da população do Irã, principalmente os jovens, com o governo teocrático era uma panela de pressão na iminência de eclodir. Essa foi a impressão da dentista Shiva Rastegari Majzoob, baha’i iraniana radicada em Londrina, em sua última visita de três meses à terra natal, em março de 2023. O ataque conjunto dos Estados Unidos e Israel apenas foi o estopim para deflagrar a revolução.


Shiva veio para o Brasil em 1986, aos 18 anos, fugindo da teocracia que se instalou no Irã após a Revolução Islâmica sete anos antes. Seguidora da fé bahá’i, a iraniana precisou fugir pelo deserto para obter um passaporte internacional e buscar refúgio em outro lugar, conforme já contou a FOLHA em 2016.


O islamismo tomou o poder no Irã em 1979, após o episódio conhecido como Revolução Islâmica. À época, a expectativa dos iranianos era dar um fim ao governo autocrático do Xá Mohammad Pahlevi. Porém, o que veio a seguir foi outro governo autoritário, com viés teológico, comandado por Ruhollah Khomeini.


A teocracia instaurada no Irã levou o país a impor costumes do islamismo e elegeu os Bahá’i como adversários. Fundada a partir do zoroastrismo, a fé bahá’i prega a união de todos os povos e a convivência entre religiões, o que, segundo Shiva, entrou em choque com o modelo teocrático estabelecido após a revolução. “Os baha’i não acreditam num clero, no poder do sacerdócio. E quem não segue um clero, o governo iraniano automaticamente considera um inimigo”, explica.


De acordo com a dentista, a perseguição aos bahá’ís ocorre de forma sistemática desde 1979. Ela afirma que seguidores da religião não têm acesso às universidades do país e frequentemente enfrentam restrições legais e sociais. Por isso, muitos jovens acabam deixando o Irã para estudar no exterior. Foi o que ocorreu com ela, que decidiu sair do país ainda na adolescência.


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