Nem as más notícias sobre a crise financeira mundial fizeram o brasileiro desistir de viajar para fora do País na férias de julho. A expectativa da CVC, maior operadora brasileira de turismo, é de que as vendas de pacote cresçam 15% em relação ao mesmo período do ano passado e cerca de 300 mil turistas embarquem nestas férias em direção ao exterior. Na Decolar, agência de venda de passagens e pacotes pela internet, os negócios mais que dobraram. "Crise, que crise?", diz o diretor executivo no Brasil da Decolar, Alipio Camanzano. "Nos quatro primeiros dias de junho, a venda de pacotes e bilhetes aéreos cresceu em torno de 130% na comparação com o mesmo período do ano passado."
As associações do setor indicam dois fatores principais para o aumento da demanda por viagens: passagens mais baratas e dólar em queda. Em abril, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorizou a concessão de descontos abaixo do piso determinado para passagens aéreas internacionais.
Inicialmente, as empresas do setor poderão dar descontos até 20% abaixo da tabela da Anac. A partir de julho, serão permitidas tarifas até 50% mais baratas.
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"A crise não atrapalhou os planos da classe média, que culturalmente já está habituada a inserir pelo menos uma viagem ao ano em seu orçamento doméstico", afirma o presidente da CVC, Valter Patriani. Segundo ele, a meta da empresa é embarcar 2 milhões de passageiros em viagens nacionais e internacionais este ano, contra 1,7 milhão em 2008.
A tendência de alta é confirmada pela Associação Brasileira de Operadoras de Turismo (Braztoa). O presidente da entidade, José Eduardo Barbosa, ressalta que o crescimento deve-se à queda nos preços dos pacotes. "O pacote para um fim de semana em Buenos Aires, por exemplo, de US$ 660 em julho do ano passado para US$ 450 agora. E uma viagem a Nova York está quase 40% mais barata que no ano passado."
Câmbio
Para o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), Carlos Alberto Amorim, a queda do dólar - cotado na última semana abaixo dos R$ 2 - dá segurança para que os turistas gastem em viagens internacionais. "O turismo não sentiu tanto a recessão internacional, mesmo em setembro e outubro, quando a crise se intensificou. No começo do ano, houve forte oscilação do dólar, mas a queda foi a chave para que as vendas voltassem a crescer a partir do segundo trimestre", ressalta.
O presidente da Abav também ressalta o papel do governo federal para o estímulo da indústria do turismo nos próximos meses. Segundo Amorim, o financiamento de viagens em até 24 vezes promovido pela Caixa Econômica Federal desde maio deste ano deve ter repercussão positiva na venda de passagens aéreas para julho. "É a oportunidade de as pessoas investirem de forma segura e com facilidade de pagamento."
Já o presidente da CVC explica que a oportunidade de financiar viagens tem levado principalmente a classe média a optar por roteiros internacionais nas férias de julho. A ampliação em maio e junho em cerca de 12% das vendas de destinos como Bariloche e Disney, roteiros que costumam ser os preferidos desse estrato social, são os grandes responsáveis pelo crescimento de 15% previsto pela empresa para o período, diz Patriani.