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Especial

Presença global, malária está longe de ser erradicada

Agência FAPESP
21 abr 2007 às 13:46

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Em 1955, a principal decisão de uma assembléia da Organização Mundial de Saúde (OMS), realizada no México, foi erradicar a malária no mundo em oito anos, começando pelo continente americano. Meio século depois, a doença não dá sinais de que um dia desaparecerá.

"Pensávamos que com as novas tecnologias e medicamentos conseguiríamos fazê-lo, mas parece ser impossível acabar com a doença. Temos que conviver com ela", disse Marcos Cueto, do Departamento de Ciências da Escola de Saúde Pública da Universidade Peruana Cayetano Heredia, à Agência FAPESP.

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"Fatores como a não existência de medicamentos que solucionem o problema completamente e a presença de muitos casos assintomáticos – que são fonte de transmissão – têm contribuído para afastar a possibilidade de erradicação da malária. Mas podemos, no entanto, controlá-la", afirmou.


Cueto participou na semana passada do seminário Henrique Aragão e a pesquisa sobre a malária: 100 anos da descoberta do ciclo exoeritrocítico da malária, realizado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC) e pela Casa de Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro.

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Segundo o pesquisador peruano, a OMS não obteve sucesso devido a fatores biológicos, administrativos, sociais e culturais. "A resistência dos mosquitos aos inseticidas era maior do que se previa. Além disso, houve pouca comunicação com os setores de saúde regionais. Também não se previu o impacto dos movimentos de migração por motivos econômicos, como o impulsionado pelo garimpo, por exemplo", afirmou o historiador.


"Não devemos esquecer que a malária é, sobretudo, uma questão rural, e o problema da transmissão da doença está relacionado à forma de desenvolvimento adotada pelos governos", disse.

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Segundo ele, uma das maneiras de enfrentar o problema seria fazer um melhor uso da água, para que rios e barragens não se transformem em reservatórios de mosquitos.


Fatores econômicos e sociais

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Em 1969, a OMS decidiu implantar uma política de erradicação e controle da malária. Conseguiu reduzir, mas não eliminar a doença nas regiões mais afetadas – 36% da população latino-americana vive nessas zonas. Entretanto, na última década os números de casos voltaram a aumentar, ainda que não na mesma proporção da década de 1950.


Para o historiador norte-americano Randall Packard, da Universidade Johns Hopkins, o ressurgimento da malária está relacionado à forma como se encara ou se busca solucionar o problema.

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"A razão pela qual a malária é considerada uma doença do terceiro mundo não é por ser uma doença tropical. Devemos entendê-la também tendo em vista as forças econômicas e sociais que a impulsionam. São nessas forças que devemos nos concentrar ao pensarmos em controle", apontou Packard.


Para o pesquisador, medidas de controle adotadas por governos dos países latino-americanos e africanos, nos quais ocorrem mais surtos da doença no mundo, deveriam ser tomadas paralelamente a iniciativas direcionadas aos problemas econômicos e sociais dessas regiões.

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"A malária é um problema para ser lidado de forma integrada. A solução não depende somente dos fundos que vêm de organizações internacionais", disse Packard.


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