Com o aumento da busca por alternativas caseiras para controlar o peso, ganhou força nas redes sociais o termo “Mounjaro natural”, apelido dado ao psyllium, uma fibra vegetal usada para melhorar o funcionamento intestinal. Mas, segundo a doutora e nutricionista Tatiane Ferreira Araújo, a comparação é inadequada e pode gerar expectativas irreais.
“O psyllium traz benefícios importantes, mas não tem a mesma ação hormonal de medicamentos como a tirzepatida”, explica a professora do curso de Nutrição da Faculdade Anhanguera,
O psyllium é uma fibra solúvel que, ao entrar em contato com a água, forma um gel capaz de aumentar a sensação de saciedade e melhorar o trânsito intestinal. Esse processo também pode contribuir para o controle da glicemia e dos níveis de colesterol.
Apesar desses efeitos reconhecidos, a fibra não age diretamente nos hormônios que regulam o apetite, principal mecanismo do Ozempic. Por isso, os resultados não são comparáveis nem substituíveis.
O apelido “Mounjaro natural” cria a falsa impressão de que o psyllium pode promover o mesmo tipo de perda de peso rápida e consistente observada com medicamentos. Na prática, isso não acontece.
Enquanto a tirzepatida atua sobre receptores que controlam fome e saciedade, o psyllium age apenas no volume e na viscosidade do conteúdo estomacal. Essa diferença faz com que pessoas utilizem a fibra de forma inadequada, em doses exageradas ou sem hidratação suficiente, aumentando o risco de desconfortos digestivos e até obstruções.
Uso exige acompanhamento
O consumo de psyllium não é indicado para pessoas com dificuldade de deglutição, histórico de obstrução intestinal ou doenças gastrointestinais em atividade. O uso também exige acompanhamento para quem toma medicamentos contínuos, já que a fibra pode interferir na absorção de remédios.
Problemas como gases, inchaço, cólicas e constipação podem surgir quando o consumo não é acompanhado de água na quantidade adequada.
Em doses moderadas e dentro de uma rotina equilibrada, o psyllium pode auxiliar quem busca melhorar a ingestão de fibras, regular o intestino e aumentar levemente a sensação de saciedade.
“No contexto certo, o psyllium é um bom complemento alimentar”, afirma a nutricionista. “Mas ele não substitui tratamento médico, não age como medicamento para obesidade e não deve ser visto como solução rápida.”
(Com informações da Assessoria de Imprensa do Anhanguera)