Uma criança de sete anos morreu após ser picada por um escorpião na noite de segunda-feira (29), em Uraí (Norte). A morte foi confirmada na madrugada desta terça-feira (30) e provocou alerta das autoridades de saúde sobre os riscos do envenenamento escorpiônico, especialmente entre crianças.
De acordo com pessoas próximas à família, o menino estava na casa do avô, com quem era muito apegado, quando ocorreu o acidente. O avô o levou imediatamente para socorro médico, mas, mesmo inoculada, a criança não resistiu.
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Segundo a Sesa (Secretaria de Estado da Saúde do Paraná), o menino foi inicialmente atendido na Santa Casa de Uraí, que acionou o CiaTox (Centro de Informação e Assistência Toxicológica) de Londrina. Diante da gravidade do caso, foi indicado o encaminhamento imediato para a Santa Casa de Cornélio Procópio (Norte Pioneiro) e a realização de soroterapia, conforme o protocolo para quadros graves.
A aplicação de seis ampolas do SAEsc (soro antiescorpiônico) ocorreu já em Cornélio Procópio, com término por volta da meia-noite. Apesar das medidas adotadas, a criança não resistiu e morreu às 2h30. De acordo com a Sesa, há investigação em andamento sobre a existência de uma possível cardiopatia prévia na vítima, que completaria 8 anos de idade em janeiro de 2026.
Dados da secretaria estadual apontam que o Paraná registrou 6.998 casos de picadas de escorpião em 2025, até o mês de dezembro, com quatro mortes confirmadas. Duas ocorreram em Cambará e uma em Jacarezinho, no Norte Pioneiro, vitimando duas crianças e um adolescente. O óbito registrado em Uraí é o mais recente. Em 2024, não houve registro de mortes por esse tipo de acidente no estado.
Em âmbito nacional, o Brasil contabilizou mais de 200 mortes por picadas de escorpião neste ano.
A Sesa reforça que crianças apresentam maior risco de evolução rápida para quadros graves e óbito, devido à menor massa corporal, o que facilita a rápida disseminação do veneno pelo organismo, podendo causar choque cardiogênico e parada cardiorrespiratória. A orientação é que, em casos de picada, a vítima procure atendimento médico imediato.
Vigilância contínua
O Paraná mantém um trabalho contínuo de vigilância ativa de escorpiões e registrou o envio de mais de 22 mil desses animais para identificação taxonômica. As ações são feitas pelas vigilâncias em saúde municipais, com apoio das regionais de saúde. Há também demanda espontânea de moradores que solicitam ou capturam animais e levam até a vigilância, além de pacientes que levam os animais causadores de acidente até o serviço de saúde.
Uma campanha de conscientização e cuidado foi lançada pela Sesa no mês de dezembro, com a distribuição de mais de 300 mil folderes nas regiões onde há maior incidência de animais peçonhentos, além de um vídeo sobre prevenção que é divulgado em TVs e redes sociais.
Além da campanha de conscientização, a Sesa, em conjunto com as regionais de saúde e os municípios, está realizando diversas ações de controle do escorpião. Neste ano, entre agosto e outubro, foram capturados cerca de 5 mil desses animais na região da 19ª Regional de Saúde, no Norte Pioneiro.
A Sesa também promoveu uma maior descentralização do soro antiescorpiônico para que seja usado nos casos orientados pelas equipes médicas das unidades de saúde e do CiaTox.
Em caso de picada, os CIATox podem ser acessados pelos telefones: 0800 041 0148 (Curitiba); (43) 3371-2244 (Londrina); (44) 3011-9127 (Maringá); e (45) 3321-526 (Cascavel)
Cuidados
Moradores das regiões que sofrem com as infestações precisam tomar cuidados em casa. Os escorpiões ficam escondidos em locais com entulhos durante o dia e saem durante a noite em busca de comida. Veja algumas medidas que precisam ser tomadas:
- Manter a casa, quintal e terrenos limpos, evitando acúmulo de entulhos, restos de materiais de construção e objetos desnecessários.
- Tampar ralos, caixas de gordura, frestas nas paredes e rodapés, e utilizar telas em aberturas e grelhas dos ralos.
- Afastar camas, sofás e berços das paredes e evitar que roupas de cama, cortinas e mosquiteiros encostem no chão.
- Examinar roupas, calçados, toalhas e lençóis antes de usá-los, principalmente se estiverem guardados no chão ou em locais pouco utilizados.
- Utilizar luvas e calçados em atividades de jardinagem ou em áreas de risco.
- Vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos e forros.
- Instalar vedantes ou sacos de areia nas portas e janelas.
- Não usar inseticidas domésticos, pois não são eficazes contra escorpiões e podem dispersá-los.
- Eliminar fontes de alimento para os escorpiões, como baratas, mantendo o ambiente limpo e o lixo bem-acondicionado.