A cada ano, as metas pessoais são renovadas e cuidar melhor da saúde costuma entrar no topo da lista de prioridades. Mas, já se passou um mês e muita gente ainda nem começou a colocar o novo plano em prática. Se o que está faltando é motivação, começar a correr em grupo pode ser um impulso para a busca de um novo estilo de vida em 2026. A prática é democrática, basta um tênis confortável e com amortecimento e roupas leves para começar. A corrida acolhe pessoas de idades e perfis diferentes, combate o sedentarismo e ainda ajuda a cuidar da mente.
Na vida da empresária Gislaine Yuri Capucho, de 39 anos, a corrida se tornou o principal remédio contra a depressão. Ela começou a correr há cerca de seis meses, por incentivo do marido, que é fisioterapeuta. Desde o primeiro treino, diz ter visto resultados no seu bem-estar. “Eu nunca gostei de fazer esportes. Na corrida, encontrei não só atividade física, mas principalmente novas amizades. O maior benefício de treinar em grupo é aumentar a constância e a disciplina, além da socialização”, revela. Para ela, outro ganho que a prática trouxe foi o autoconhecimento. Foi correndo que algumas dificuldades que ela tinha em outras áreas da vida ficaram expostas, como a vontade de desistir.
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Gislaine conta que, desde que se tornou corredora, perdeu dez quilos, restaurou sua saúde física e mental, reconstruiu sua família e os negócios. Começou com uma meta pequena, de correr 5 quilômetros. Hoje, treina para a meia maratona, de 21 quilômetros. E até o final deste ano, pretende correr uma maratona inteira, 42 quilômetros.
A comerciante Jessica Tiviroli Arruda, de 28 anos, começou a correr em setembro de 2025, porque precisava se preparar fisicamente para a prova de um concurso público. No início, mal conseguia correr cem metros. Ela brinca que, antes de começar, dizia que odiava correr, porque não se achava capaz. “A corrida me ensinou que, com esforço, consigo superar meus próprios limites. E correr em grupo fez com que eu não desistisse, graças à motivação de todos. Fiz amizades com pessoas de várias idades”, descreve. Mas, além de ser incentivada a seguir em frente, ela também se tornou exemplo para outras pessoas. Quando não está treinando em grupo, leva a mãe para correr junto.
Em seis meses, com corrida e dieta, ela conseguiu perder 19 quilos. Mas, os benefícios vão além da saúde física. Jessica diz que também sentiu melhora nos sintomas de ansiedade e na qualidade do sono. O treinador de corrida Gilberto Miranda diz que o perfil de quem busca pela prática em grupo é de pessoas que querem emagrecer, que sofrem de ansiedade ou depressão. Gestor do projeto Londrina Atletismo e treinador, ele coordena um grupo de corrida em Londrina, que se reúne três vezes na semana por 1h30. Nas aulas, os alunos trabalham coordenação, alongamento, fortalecimento, caminhada ou corrida.
“Um estudo recente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) projetou um crescimento de 22% no mercado de corrida. Em geral, as pessoas começam buscando qualidade de vida, mas se viciam na prática e começam a participar de provas. Hoje, eu atendo mais de 50 pessoas. Estou montando espaço no aterro para abrir mais vagas”, conta Miranda. A ideia, segundo ele, é promover eventos a cada bimestre com aulões abertos, com o objetivo de atrair mais pessoas interessadas em melhorar a saúde o bem-estar. Otimista com o aumento da procura, o treinador almeja fechar o ano com cem alunos e chegar a 300 até 2027.
Provas devem crescer em 2026
Levantamento realizado pela Associação Brasileira de Organizadores de Corridas e Esportes Outdoor (ABRACEO) revelou que, em 2025, foram promovidas, em todo o Brasil, 5.241 provas de corrida contra 2.824 no ano anterior, um crescimento de 85%. O estado com o maior número de corridas de rua no ano passado é São Paulo, com 1.311, logo após aparece o Paraná, com 645 (aumento de 93%), e Santa Catarina, com 478. O aumento do número de provas e de corredores amadores beneficia não só os treinadores, mas também os mercados de materiais esportivos, suplementação e nutrição. A expectativa da CBAt é de que o número de provas cresça ainda mais em 2026.
Marcas enxergam valor na prática
O advogado e empresário Adailton Alves Maciel Junior, além de ser pai de uma ex-atleta do Londrina Atletismo que foi campeã paranaense no esporte, participa do grupo de corrida coordenado por Gilberto Miranda há cerca de dois anos. “Começamos em cinco pessoas e hoje já somos mais de 50, de diferentes idades”, conta.
Como acompanhou a jornada da filha, entende a importância de investir no esporte, especialmente no trabalho de base, com as crianças. Por isso, além de treinar, ele também tem apoiado atletas por meio da empresa onde é vice-presidente, a Papel Para Mechas. “Nossa marca tem como propósitos a sustentabilidade e a inovação. Cuidar da saúde, incentivar a prática de esportes e a qualidade de vida é parte disso. Se olharmos só para o nosso negócio, estamos sendo medíocres. Se podemos contribuir com a melhoria da vida de alguém, estamos fazendo a nossa parte, o bem para a comunidade. Queremos despertar esse olhar em outros empresários também”, afirma.
Antes de iniciar qualquer esporte, especialmente se for sedentário, é recomendado procurar um médico para uma avaliação.