Celebrado em 13 de julho, o Dia do Rock foi lembrado em Londrina, no sábado, 9 de julho, durante evento realizado na Concha Acústica e integrou a programação do 36º Festival de Música de Londrina. Comemorações à parte, a bronca fica para a sujeira deixada no local do evento e o barulho, que ultrapassa os limites, segundo moradores próximos ao local. Garrafas quebradas, copos, papel, restos de cigarro no entorno da Praça 1º de Maio e na porta de estabelecimentos comerciais pareciam não ter fim na manhã de domingo. O evento começou a ser montado no sábado, antes das 8 horas e a desmontagem se arrastou até o início da madrugada de domingo com a retirada de treliças e equipamentos de som. Até o fechamento da edição, a reportagem não conseguiu contato com a Secretária de Meio Ambiente, Liane Aparecida Lima, para ouvi-la sobre os limites de som durante o evento e a sujeira deixada no local. A Secretária de Cultura, Solange Batigliana, informou que em ocasiões anteriores o lixo passou o fim de semana todo no espaço, mas desta vez foi diferente. "O fato é que desta vez foi feita a limpeza acredito que até as 11 horas de domingo, pelo que acompanhei pelo Facebook", disse.

Após dois eventos seguidos, um na sexta e outro no sábado, era visível a irritação da auxiliar administrativa Gisela Gomes Caldana, 51 anos. "Horrível, péssimo. Vamos nos unir e fazer uma abaixo-assinado para que só eventos moderados sejam feitos aqui. O local é inadequado, ontem (sábado) o som era altíssimo e parecia que a caixa de som estava dentro de casa. Meu pai mora próximo, é doente e minha mãe contou que ele ficou agitadíssimo. Sofre de Alzheimer pedia para que minha mãe desligasse o som da TV, mas não ele entendia que vinha de fora", ressente-se. Um porteiro que preferiu não se identificar disse: "A zoeira foi das 16 às 22h40. Sem o menor respeito à Lei do Silêncio", diz. Um casal em situação de vulnerabilidade contou à reportagem que participou do evento. "Moramos na rua, demos uma passada, o rock estava bom, mas o certo era recolher a sujeira", reconhecem. "Agora de manhã, nem a gente consegue ficar aqui de tanto lixo e garrafa quebrada", comentaram. (ND)
O estudante de Engenharia Civil Alcides Alcino, 38 anos, não entende como tamanho desrespeitado é aceito. "Na sexta, a gente já tem que ouvir a batalha da Concha na marra. Também é um som muito alto e incomoda a ponto de não dar para estudar. E o palavreado: ‘Eu cago na sua boca, você é um fraldão’. Isso é cultura?", questiona. "A sujeira faço vista grossa, mas a o barulho é demais. Eu gostaria muito de conversar com quem manda, porque essa é uma situação de tormento, não tem como continuar assim, sem contar o uso e a venda de drogas escancarado", diz.
Moradora há três anos do entorno, a aposentada T.S, 63 anos, diz que até o cachorro, um legítimo vira-latas, sofre com o ruído. O palavreado é mesmo constrangedor. "Você fala que transa com a fulana, mas bate p... para Julia", rimaram noite dessas. Que horror. Que nível. O espaço deve ser democrático, mas deve haver bom senso", reflete. "No sábado passado, a Marcha das Vadias esteve aqui e também deixou cartazes jogados e muita sujeira. Eles chegam, ligam o som e fico me perguntando: ‘Quem paga essa conta de energia? Será que vem na nossa taxa de iluminação?’ Não é justo", indigna-se.(N.D.)
"Falta de respeito, segurança e fiscalização"
O taxista D.S, 31 anos, define o evento do último sábado: "Uma zona, uma bagunça, um barulhão e chegou um momento em que decidi sair do ponto. Eram mais de 22h30, junta muito usuário de droga perto do ponto e me sinto vulnerável. Toda sexta tem briga e tudo acontece sem segurança. Não adianta dizer que tem uma câmera ali. Se a Guarda Municipal estivesse presente fisicamente, já inibiria a desordem. O consumo de droga é constante e na semana passada teve uma briga feia. Foram três para cima de um pai e não pude fazer nada. Fora que defecam, urinam e tem assalto direto". (N.D.)
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Festival de Música prima pelas regras
A assessoria de imprensa do 36º Festival de Música de Londrina informou que sempre prima pelas regras e normas estabelecidas. "Referente aos shows de sexta e sábado realizados na Concha, eles são feitos em parceria com outros produtores culturais e a direção do Festival não consegue controlar o que acontece. Mas o Festival vai verificar e tomar as devidas providências". (N.D.)