"Eles se acumularam entre a prateleira e a porta, de madeira. Justamente no espaço onde são guardados os medicamentos. Pelo menos 2,5 mil foram danificados pelos insetos", conta a profissional de saúde. Ela detalha que dois mil eram de AAS (ácido acetilsalicílico), que tem a propriedade de baixar a febre, aliviar a dor, reduzir a inflamação, e 500 de captopril, usado em casos de hipertensão arterial e insuficiência cardíaca.
Segundo a funcionária municipal, a situação foi repassada para a Secretaria municipal de Saúde. "A secretaria respondeu que o contrato com a empresa responsável pela dedetização estaria vencido", relata a funcionária. "Após a orientação da secretaria, a equipe de profissionais se reuniu com a vizinhança da UBS para discutir o problema. Um morador acabou doando óleo diesel e os funcionários do posto aplicaram o combustível", afirma a profissional de saúde. "Isso foi há duas semanas. O diesel deve ser bom mesmo, pois os cupins não apareceram mais", avalia ela.
O mato toma conta dos arredores da UBS Três Bocas
Postinho tem até cobra coral
Infelizmente, invasões de insetos não é exclusividade do Patrimônio Selva. O problema se repete na UBS da comunidade Usina Três Bocas, na zona sul de Londrina. Também em 2017, de acordo com um agente municipal, uma mulher por muito pouco não foi atacada por uma cobra coral, supostamente venenosa. "Na área externa do posto, ela quase foi picada por uma cobra coral, que é venenosa", relembra o funcionário, que também não terá o nome divulgado. "Após ouvir o grito da mulher, fui até o local e notei que se tratava de um filhote. Talvez por isso a mulher não acabou ferida. Esta foi a segunda cobra coral que encontramos no posto no intervalo de um ano", reforça o agente público.
Ele conta que a unidade da Usina Três Bocas também é frequentemente invadida por insetos. "Mosquitos, baratas e aranhas são comuns por aqui. Tomamos muito cuidado com os medicamentos, para que não ocorra contaminações. Principalmente com as tiras usadas para avaliar a taxa de glicose no sangue, que são caras", revela ele. (P.M.)
Secretaria de Saúde responde
O NOSSODIA entrou em contato com a Secretaria municipal de Saúde e repassou a situação das unidades. A resposta foi enviada por Eliana Zaninelo Marussi, diretoria geral da autarquia municipal. "A Prefeitura, através da Secretaria de Gestão Pública, mantém contrato para serviços de dedetização, desratização, descupinização, desalojamento de pombos e morcegos para os próprios públicos. Quem presta o serviço é a contratada, vencedora dos processos licitatórios. O processo licitatório para a contratação da empresa foi finalizado, com previsão de início dos serviços pela nova empresa ainda este mês", contou Eliana, adiantando que a secretaria já tinha conhecimento do problema.
"Há ciência da secretaria, inclusive houve a tramitação para manutenção dos serviços. Destaco que mesmo com o controle e manejo permanente de pragas, há a possibilidade de recorrência, especialmente nas unidades de zona rural. Quanto às cobras, lembro que nossas unidades estão localizadas no habitat das mesmas, sendo impossível combatê-las, mas a presença delas nos serviços é rara", afirmou ela. (P.M.)