O estelionatário aproveita o momento mais vulnerável da vítima para agir, define o delegado sobre o novo golpe aplicado em Londrina. Nas últimas duas semanas, famílias de pacientes com câncer receberam ligações de criminosos, que se passam por funcionários de hospitais. Com a falsa afirmação de dar continuidade ao tratamento e comprar medicamentos, jurando ainda ter a cura para a doença, a quadrilha exige quantias em dinheiro dos parentes do enfermo. Até o momento nenhum suspeito foi preso, a Delegacia de Estelionato faz alerta à população sobre o delito.
"Não são funcionários dos hospitais, mas sim estelionatários. Eles conseguem informações pessoais dos parentes das pessoas internadas e aplicam os golpes. Investigamos como esses criminosos conseguem tais informações. Se é por meio de funcionários dos hospitais, seguros de vida ou planos de saúde", explica Edgard Soriani, delegado da Delegacia de Estelionato de Londrina.
Segundo ele, os bandidos têm como alvos as famílias com entes vítimas de câncer, internados em hospitais especializados. "Ultimamente, parentes de pessoas internadas nos Hospitais do Câncer e do Coração. De forma fraudulenta, o estelionatário afirma ter a cura, o medicamento para salvar a pessoa internada, que se encontra na UTI (Unidade Terapia Intensiva) dos hospitais na iminência de morrer. O familiar, vulnerável emocionalmente, se agarra ao último fio de esperança", relata a autoridade policial.
Um inquérito policial foi aberto para apurar os golpes registrados na cidade. De acordo com a Polícia Civil, estelionatários estariam exigindo quantias entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, e que as operações financeiras fossem realizadas por meio de depósitos bancários. "Esse crime já está sendo aplicado há um bom tempo em Londrina. Dois ocorreram nas últimas semanas. Um deles, inclusive, nesta terça-feira (23). Mas, até o momento, ninguém foi preso", revela Soriani, acrescentando que não há um perfil para vítimas deste tipo de golpe. "Desconheço que funcionários de hospitais telefonem pedindo dinheiro para curar o paciente. Praticamente 99% dos casos são golpes." (Paulo Monteiro/NOSSODIA)