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VÍTIMAS ‘PREFERIDAS’ As ruas não perdoam os idosos

28 jan 2016 às 08:43


O trânsito de Londrina, como o de qualquer outra grande cidade brasileira, exige muita atenção, agilidade e prudência de motoristas e pedestres. De acordo com o "Placar do Trânsito" de 2015, levantamento divulgado pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina (CMTU) na última semana, as ruas da cidade registraram um aumento no ano passado no número de mortos em relação a 2014: foram 100 mortos em 2015, grande parte eram de idosos. Além do tráfego intenso dos veículos, a perda dos sinais sensoriais e a limitação física podem explicar o número de idosos com mais de 60 anos de idade mortos nas ruas da cidade.
Além dos óbitos no trânsito (99 em 2014 e 100 em 2015), Londrina registrou um aumento no número de atropelamentos: 357 em 2014 e 372 em 2015. Morreram atropelados 22 pessoas em 2014, diante de 36 em 2015. Desses 36 óbitos no ano passado, de acordo com a CMTU, 21 eram de pessoas acima dos 60 anos.
No total de ocorrências referentes a 2015, 85 das vítimas fatais eram do sexo masculino e 15 do sexo feminino; seis tinham de zero a 17 anos; 26 mortos tinham de 18 a 30 anos. Entre 31 e 59 anos foram 33 mortos, acima de 60 anos de idade, 35 perderam a vida no trânsito.
"Acredito que o envelhecimento fisiológico da pessoa, o natural, sem considerar as doenças, com a expectativa de vida aumentando do brasileiro, colabora com este número", avalia o médico geriatra Gabriel Otzumi. "O idoso já tem os seus reflexos diminuídos. Mas, antes disso, a pessoa começa a sofrer com o déficit das vias responsáveis pelas transmissões sensoriais. Entre elas a visão. Realidade que leva a pessoa a sofrer com tropeços no caminhar, quedas, além da dificuldade de trafegar entre os veículos. A audição também fica comprometida neste período da vida e compromete a percepção dos sinais de alerta, como buzina dos carros nas ruas", detalha o profissional, especializado no envelhecimento e nas doenças relacionadas ao processo.

Atropelamento fataL em 2016
O ano de 2016 começou trágico para o público idoso. Maria da Conceição Ruiz, de 77 anos, foi atropelada por um carro após desembarcar de um ônibus na avenida Leste-Oeste, centro de Londrina. O acidente aconteceu no dia 14, quando ela tentava atravessar a via. Maria ainda foi socorrida, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no Hospital Universitário (HU).
A CMTU promove ações junto à Diretoria de Trânsito para oferecer mais segurança em vias de Londrina consideradas de risco, como instalação de semáforos, lombadas, faixas elevada e bicolor. Também realiza blitzes e campanhas educativas, além de ações do programa "Londrina Escolhe a Vida". Entre setembro de 2014 e novembro de 2015, a CMTU revitalizou mais de 86 mil m2. Em média, as pinturas de sinalização duram de seis a oito meses. (P.M.)

Medicina preventiva
O médico geriatra Gabriel Otzumi recomenda a medicina preventiva na busca pela longevidade com qualidade de vida. "A recomendação é que a pessoa busque um especialista antes de sofrer com as primeiras doenças crônicas. Procurar envelhecer com saúde, com qualidade, buscando a prevenção. Não esperar, mas se preparar para ela. Pensamento ativo. O ideal é que a pessoa procure um especialista, passe por uma avaliação e a partir dai receba um acompanhamento médico", destaca ele. (P.M.)


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