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Visão das crianças - Os riscos do celular e computador

Pedro Marconi
Grupo Folha
22 jul 2018 às 21:07

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Levantamento promovido pelo Centro de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação mostra que 70% das crianças e jovens fazem uso da internet ao menos uma vez por dia. Se o número demonstra que a tecnologia está alcançando pessoas mais novas, também serve de alerta para os riscos que as telas podem trazer, em especial ao público infantil. De acordo com o CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia), 20% das crianças em idade escolar apresentam algum problema de visão. O oftalmologista Luiz Eduardo Rebouças de Carvalho, membro do CBO, aponta que as crianças são mais suscetíveis ao excesso do uso de telas, como celular, tablet e computador, por estarem em fase de formação. "A principal fase que o olho desenvolve vai do nascimento até os três anos. A partir dos três anos de idade é mais lento. O comprimento do olho passa a ter equivalência do tamanho do olho de um adulto entre os oito e nove anos. Então, as telas exercem uma influência direta na visão, pois acontece modificação da lente, muda córnea, que é a parte externa do olho, e a interna, que é o cristalino", explica. Alguns sinais indicam que o excesso no uso desses equipamentos pode estar gerando problemas à visão. "Olhos lagrimejantes e vermelhos. Quando se está entretido em determinada situação, seja vendo filme, TV ou digitando mensagem, o número de vezes que pisca diminui e provoca o ressecamento no olho e ardência. A maioria das pessoas ainda acaba diminuindo de forma exagerada o brilho da tela para economizar bateria, abaixa o contraste e aproxima mais o celular do rosto. Isto aumenta a convergência dos olhos e certamente vai causar desconforto", destaca o profissional. "O esforço contínuo causa dor de cabeça, ‘peso’ nos olhos e sensação de dor no fundo dos olhos", acrescenta.
Outra questão é que celulares, tablets e computadores emitem uma taxa de luz azul, o que dificulta a produção de melatonina. "É o hormônio responsável pelo sono. A luz azul é absorvida durante o dia e faz com que se mantenha mais dinâmico e atento. Absorvida no período da noite pode induzir a produção da melatonina e inibir o sono. A recomendação é não usar aparelhos eletrônicos pelo menos uma hora antes de dormir para que tenha uma qualidade de sono", indica o oftalmologista londrinense Ivan Idalgo de Oliveira, da clínica Pakao Hoyama.

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MIOPIA
Os especialistas advertem que estudos mostram que a utilização das telas está associada à miopia nos países asiáticos. "Na população oriental está muito bem definido isso. Eram cerca de 40% de míopes na década de 1960 e hoje 90%", afirma Carvalho. "Não há nada comprovado ainda, mas é um indicativo que o uso excessivo de telas pode estar favorecendo que estes indivíduos desenvolvam miopia e em níveis mais altos. Estudo nos Estados Unidos aponta para o mesmo lado", acrescenta Oliveira. No Brasil não existem resultados de levantamentos conhecidos a repeito.
Pesquisa do Conselho Brasileiro de Oftalmologia mostra que o número de crianças que usam óculos de grau dobrou nos últimos dez anos, passando de 10% para 20%. Destas, quatro em cada dez apresentam miopia, distúrbio que impede a visão nítida de objetos localizados ao longe. A miopia, uma vez diagnosticada, em especial em crianças e jovens, tem a tendência de aumentar, não havendo reversão natural. Ela pode estabilizar e quando adulto existe a possibilidade de cirurgia a laser. Ao notar qualquer alteração, o indicado é procurar um médico oftalmologista para avaliação. (P.M.)

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