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VIOLÊNCIA SEXUAL - Mostra bilau para mulher no busão e vai para xilindró

18 out 2017 às 22:38

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Marcos Zanutto
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Por volta das 9 horas desta quarta-feira (18), agentes da Guarda Municipal prenderam um jovem de 21 anos no Terminal Central de Londrina. Ele é suspeito de abusar sexualmente de uma mulher de 38 anos, no interior de um ônibus do transporte coletivo (linha 311-Jardim Santa Rita) que se dirigia ao centro. Segundo a vítima, além de levantar o seu vestido e fazer ameaças, o rapaz ainda mostrou o órgão sexual. O caso foi parar no 4° Distrito Policial (DP), onde o rapaz foi autuado em flagrante pelo crime de tentativa de estupro.
A vítima conta que estava em pé no momento do ataque. "Eu senti que o meu vestido balançou, mas achei que alguém estivesse se esbarrando. Quando me virei e fiquei de frente para ele, vi que estava levantando o meu vestido e ainda exibia o próprio órgão sexual", relata ela. "Eu o empurrei e perguntei o que estava acontecendo. Ele reagiu com ironia. Os outros passageiros olhavam, mas nada faziam. Eu gritei, avisei que chamaria a polícia e ele fez menção de estar armado. Afirmou que mataria todos no ônibus", relembra a mulher, que, junto aos demais passageiros, sofreu outras ameaças até a chegada do coletivo ao terminal.
No terminal central, os seguranças fizeram o procedimento de acordo com as orientações em treinamento. Após o motorista sinalizar que algo incomum estava acontecendo no interior do coletivo, os vigilantes se aproximaram. "Nós temos códigos para que a equipe de segurança se mobilize, isso desde um caso criminoso até o de alguém passando mal", informa Dejalma Antônio dos Santos, chefe de segurança dos terminais. (Paulo Monteiro/NOSSODIA e Lais Taine/Grupo Folha)


Primeira vez
Em 10 anos atuando no local, Santos afirma que nunca viu caso como esse. "Às vezes tem ocorrência de importunação ofensiva, que é quando encosta demais ou ofende a mulher de alguma forma, mas essa é outra situação", afirma.
Em nota, a Grande Londrina se pronunciou afirmando que: "Todos os colaboradores que trabalham nos veículos recebem treinamento para agir em situações que atentem contra a integridade física dos passageiros. Em casos como esse, o motorista é orientado a travar as portas do ônibus e ir diretamente para o terminal, onde deve entrar buzinando para alertar os vigias que fazem a segurança do prédio."De acordo com o inspetor Ederson Reis, da Guarda Municipal (GM), depois que o ônibus estacionou, o rapaz foi imobilizado pelos vigilantes até a chegada dos guardas municipais. Ele foi preso e encaminhado ao Centro Integrado de Atendimento ao 4° DP. Segundo o inspetor da GM, o jovem foi autuado pelo crime de tentativa de estupro (quando, iniciada a execução, o crime não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente). (P.M. e L.T.)

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‘FIZ POR MIM E PELAS OUTRAS MULHERES’
Apesar do constrangimento e do medo, a vítima foi até ao 4° DP e representou contra o suspeito. "Fiz por mim e pelas outras mulheres. Já escutei de outras pessoas que passaram por algo parecido e, talvez por vergonha, não registraram sequer um boletim de ocorrência", destaca a mulher de 38 anos.
A vítima relembra que o ataque ocorrido no interior do ônibus foi presenciado por adolescentes e crianças, o que a deixou ainda mais indignada. "Na minha frente, por exemplo, estavam sentadas uma mulher e suas duas filhas: uma criança e uma adolescente. Uma situação como essa é traumática também para quem a testemunha. Isso não pode continuar acontecendo. Espero que o meu gesto encoraja outras pessoas", acrescenta. (P.M. e L.T.)

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CRIME ASSUSTA, MAS NÃO É NOVIDADE
A vendedora, Jhenifer Aparecida Macedo, 21, estava no local no momento em que tudo aconteceu. "Ninguém tinha percebido, quando eu notei, ela já estava se virando para brigar com ele. Todo mundo ficou quieto no ônibus e a gente pediu para o motorista não abrir a porta para ele. O rapaz ameaçou, falou que estava armado e que iria atirar em todo mundo", recorda. É a primeira vez que Jhenifer viu, tão de perto, um crime como esse. "Eu fiquei horrorizada, as mulheres ficam com medo, mas tem que denunciar. Olha como é, ônibus lotado e mesmo assim o cara não se preocupou", revolta-se.
Colher relatos de abuso sexual em transporte coletivo não é uma atividade tão difícil de se encontrar no Terminal Central. Sônia Maria de Melo, 40, afirma que nunca viu de forma tão exposta como foi o caso desta quarta-feira (18), mas que é muito comum os casos de homens encostando de forma ofensiva em uma mulher. "Eu já vi muito, é comum. A mulher fica constrangida, ninguém fala nada. Quando eu entro no ônibus, eu procuro me sentar para evitar, quando não tem jeito, eu fico atenta. Não dá mais para andar tranquila no ônibus", lamenta.
A estudante, Rafaela Mazuquin, 21, conta que sempre ouviu histórias de outras mulheres e acredita que a denúncia é a melhor forma de combater os crimes, ao mesmo tempo, compreende que muitas mulheres não se sentem protegidas para seguir em frente com o processo. "Hoje em dia a gente não pode mais aceitar esse tipo de atitude, tem que denunciar sempre, mas que também a pessoa tenha uma punição justa", afirma. (P.M. e L.T.) 


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