Ele comenta que a Guarda Municipal é acionada sempre que um episódio é registrado. "Às vezes, ligamos e não somos atendidos. Os guardas municipais se esforçam para nos ajudar, mas, como fazem rondas em outros lugares, demoram para chegar", relata. Além do lixo deixado, até armas são encontradas no local. "Armas brancas e cachimbos de crack, além de outros objetos, são deixados por eles. Esse material foi recolhido no último mês", mostra Pinho uma caixa com vários objetos, inclusive facas. "Muito lixo também. Apenas em um dia, recolhemos 10 sacos (de 200 litros) de lixo. Durante o dia, eles permanecem nas praças ao redor, mas se deslocam para o interior do terminal após o anoitecer." De acordo com o o superintendente do Terminal Rodoviário, Sandro Neves, uma sala havia sido destinada para o uso da Guarda Municipal. Pelo menos um agente atendia no local diariamente até o início de 2017. "A Guarda alega que não possui efetivo suficiente para deixar um agente fixo aqui em período integral. Com a justificativa de pouco efetivo, a Guarda não destina mais agentes fixos para cuidar do local. Desde janeiro, a presença não é constante", diz Neves, ressaltando que o espaço não possui vigilância privada.
Ele conta que já se reuniu com representantes das forças de segurança e Ministério Público para solicitar o reforço da segurança no espaço. "Além de encaminharmos oficios, nos reunimos com algumas vezes com a Guarda Municipal, com o Ministério Público, na pessoa do promotor Paulo Tavares, e autoridades de segurança."
Ao lado do Terminal Rodoviário está localizado o Centro Municipal de Educação Infantil Water Okano, na Vila Ziober. A insegurança da região permitiu que o prédio fosse invadido por sete vezes pelos ladrões.
‘Tento resistir, mas eles insistem bastante’, diz passageira
A enfermeira Bruna Ferreira sabe bem como é a abordagem dos pedintes, pois usa o Terminal Rodoviário a cada sete dias. "A minha família é toda de Ribeirão Preto (SP). Sou enfermeira residente e também faço especialização em Londrina. Passo pela rodoviária semanalmente", salienta. "No período de 30 minutos em que permaneço sentada aguardando o embarque, pelo menos três pessoas me abordam pedindo dinheiro", conta a jovem. "Tento resistir no início, mas eles insistem bastante. Para evitar constrangimentos, acabo dando o dinheiro para eles", diz Bruna.
A auxiliar administrativa Ane Robolti trabalha em um estabelecimento no terminal. Ela afirma que nunca sofreu qualquer tipo de violência no local, mas destaca o clima inseguro que toma conta do lugar. "Sempre vejo os moradores de rua dentro e fora da rodoviária. Eles abordam todos os pedestres. Ainda não sofri assaltos aqui, mas a situação gera muita insegurança na gente", acrescenta. (P.M.)
Segundo inspetor geral da Guarda Municipal, Ângelo Henrique Matos, hoje o trabalho se estende para os arredores do Terminal Rodoviário. "Antes o trabalho era feito a pé pelos agentes e se limitava somente ao seu interior. A sala ainda é utilizada pelos guardas municipais, porém eles atendem ao local exclusivamente. Hoje os agentes estendem o patrulhamento também ao entorno do terminal. Antes, as pessoas sentiam-se coagidas durante o acesso até o terminal. Hoje, pelo menos o trajeto até ele é feito com mais segurança", divulga Matos.
O inspetor geral explica que o Terminal Rodoviário é atendido por duas equipes de guardas municipais. "A mudança de atuação foi para atender todos, não exclusivamente a um grupo ou outro. O trabalho da Guarda Municipal é realizado em 10 áreas de Londrina. O terminal está entre as regiões central e leste, atendido assim pelas duas equipes", salienta. "Não há efetivo suficiente de agentes para atender todos os moradores de uma vez", ressalta. A reportagem tentou ouvir também o promotor de Justiça Paulo Tavares, porém a assessoria do Ministério Público não retornou aos telefonemas até o fechamento desta edição. (P.M.)