O diretor de Trânsito da CMTU, coronel Pedro Ramos, declarou que existe uma dificuldade em conscientizar o jovem motorista principalmente os motociclistas. Ele justifica citando as blitze. "A fiscalização do motociclista é mais complexa do que a do veículo. A moto facilita na hora da fuga. E se a gente tentar perseguir, acabamos potencializando outros acidentes". Devido a isso, segundo o Coronel, é que a Companhia vai buscar mudanças. "Estamos adotando uma blitz com menos efetivo no ponto de abordagem, e com mais agentes em torno da área, para tentar pegar quem foge". Da mesma maneira, com número limitado de agentes, o diretor diz ser difícil alcançar também o motorista embriagado. "A hora que você aborda e constata a embriaguez, cabe a prisão. Mas para isso, você precisa enviar dois agentes da operação, mais o motorista e uma testemunha para fazer o flagrante, o efetivo diminui e afeta o andamento da operação", completa.
A falta de um guincho próprio também é uma dificuldade da CMTU. "A demanda pode ser de apreensão e remoção do veículo e, hoje, nós não conseguimos fazer isso sozinhos, apenas com a PM, já que o guincho é dela. Se eu abordar um carro, precisar removê-lo e não puder porque não tenho guincho, eu corro o risco de ter esse veículo cometendo um acidente e o órgão se responsabiliza porque detectou a infração e não tomou a medida legal. Também não temos um sistema de pátio", lamenta. Está sendo preparado uma licitação para terceirizar um guincho. "Com isso, poderemos fazer uma blitz completa e 100% eficaz." Ramos também garante que as fiscalizações acontecem diariamente em Londrina, na grande maioria em conjunto com a PM. (E.N.)
O chaveiro João Fábio Rabello, 28, trabalha há cerca de dez anos dirigindo motos. Para ele, falta paciência com a classe. "Vejo que aqui em Londrina são poucos os que respeitam os motociclistas. Sempre falam que somos folgados. A vida do motociclista é diferente. É a mil por hora, pressão, diferente de quem está dentro do carro. Temos que estar atentos em vários aspectos. Muitas pessoas não entendem esse lado e acham que somos loucos", conta. "Quando é para correr contra o tempo, a gente corre onde dá. A prefeitura não quer que a gente ande em corredor, mas se não for assim, atrasa o nosso serviço e do cliente. Se for para andar igual carro, então não é preciso moto na cidade. O corredor é uma vantagem para o trabalho do motorista". (E.N)
O entregador Luiz Henrique Sartori, de 24 anos, fala sobre despreparo. "Pessoas despreparadas para dirigir nunca dão seta, além de não terem paciência. Em todos os acidentes que sofri eu estava certo (na via). Trabalho 12 horas por dia no trânsito e sinto que não nos respeitam". Para justificar os momentos acima da velocidade, Sartori diz que pensa no cliente. "Tem vezes que não tem como extrapolar, você acaba andando colado, mas apenas quando tem entrega atrasada. Temos que andar no corredor. Se for para ficar atrás do carro, não faria diferença (ter moto). (E.N)
O famoso "corredor", já foi proibido pelo Código de Trânsito. No entanto o artigo 56, que dizia ser "proibida ao condutor de motocicleta [...] a passagem entre veículos [...]" foi vetado em 1997. Hoje, o que se discute no Congresso é o uso do corredor quando o trânsito estiver parado e com a velocidade compatível com a via. (E.N)