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Vila Izabel - Pioneiros preservam costumes e amizades

Walkiria Vieira
NOSSODIA
07 mar 2016 às 09:40

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Walkiria Vieira
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No fim do ano de 1969, a pensionista Elza Germano da Silva, 80 anos, foi viver na Vila Izabel, zona Leste de Londrina. A mudança para a rua Hernandes Leite Cavalcante foi marcante. "Na época eu era diarista, não tinha água, nem luz e pra pegar o ônibus em dias de chuva, a gente colocava saco plástico nos pés pra não sujar a condução", recorda. A água, ela conta que era retirada de um poço comunitário. "E quando estragava a bomba, a gente tinha que correr para as chácaras atrás de água." O passar do tempo trouxe benfeitorias ao bairro e moradores como dona Elza comemoram as superações. Mais nova na área, mas não menos apegada ao bairro e às amizades, Therezinha Pereira da Silva, 62 anos, vive há 10 na Vila Izabel. "Aqui um cuida do outro", resume. E por falar em cuidado com o próximo, Nadir Francisco de Oliveira, 52 anos, domina o assunto. Enquanto as mães trabalham, cuida de crianças em sua casa. Atualmente são dez e a estudante Yasmim Rodrigues Alves, 10 anos, é uma delas. "Todo mundo trabalha, não sou de ir na casa dos outros, mas todos se conhecem, se querem bem." Nadir é casada, tem três filhos, todos meninos e viveu a maior parte da vida em Faxinal. Mora numa casa de aluguel na Vila. "Aqui foi plantação de algodão, antigamente." Na sala onde a família está reunida vendo TV, há um calendário na parede, um relógio com a imagem de Santa Rita e um poster em que ela e marido comemoram os 35 anos de casamento. "Quando eu era criança, já trabalhava na roça, desde os sete anos. Em casa, ia pro pilão socar o arroz para tirar a casca. Tinha que fazer força. Aqui as crianças ficam antes ou depois da escola e podem dormir, almoçam e brincam."

Conversa na beira do pé de manga
Nesse pedacinho da Vila Izabel, uma mangueira chama a atenção bem na fachada do Sacolão Santa Izabel. A sombra do pé de manga já passa de 30 anos e quem sabe mais sobre ela é dona Lourdes Cândida Donato, que plantou a árvore na rua Orlando Silva. "Foi plantada no dia 27 de junho de 1984, dia que meu primeiro neto, Elton John, nasceu. Era para ser uma hortinha de alface, mas preferi plantar no canteiro o pé de manga", explica. "No começo aqui era a garagem, depois a gente colocou telha, mas preservou a árvore - e nem de ventilador precisa, porque fica fresquinho, fresquinho", complementa a comerciante Maria Aparecida Donato, uma das filhas de Lourdes. A venda do bairro é bem popular, uma construção mista de alvenaria e peroba e oferece de tudo um pouco. Do lado de lá do balcão, Maria se orgulha. "Aqui a tubaína é de garrafa". No dia a dia, os fregueses são todos conhecidos. Chegam com moedinhas, levam um pé de verdura, um punhado de bala e muitos pedem para marcar. "O caderninho do fiado funciona, mesmo. Os aposentados, pensionistas e as crianças da escola pagam direitinho e todo mundo é pontual", diz a comerciante. Já sobre a manga coquinho, que vem do alto, avisa: "Dá manga pra todo mundo. Chupa sem pagar". (W.V.)


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