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Vielas de Londrina ajudam ou atrapalham na segurança?

Edson Neves/NOSSODIA
21 nov 2018 às 20:36

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Edson Neves
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Dados da Prefeitura indicam que Londrina possui 310 vielas, que ficam principalmente nos bairros mais antigos. O NOSSODIA resolveu girar nos quatro cantos da cidade para saber se elas ajudam ou atrapalham a população.
Na zona leste, uma delas começa na rua Catarina de Bora e termina na Teresa de Ávila, no jardim Roveri. O microempresário Moacir Pereira disse que nunca sofreu violência, mas que não dá chance ao azar. "Oriento meu filho a dar uma volta no quarteirão e ver quem pode estar na viela". O fluxo fica por conta de usuários de drogas e até mesmo motos cortando caminho. A iluminação depende da boa vontade do poste. "Senão fica uma escuridão danada", justificou. "Podia fechar aqui. Só fico preocupado com a limpeza. Tentamos comprar a viela, mas não fomos bem atendidos e disseram que não venderiam".


A professora aposentada Janete Massabki, 75 anos, sobe com dificuldades a viela entre as ruas Capitão João Busse e Humberto Nóbile, no jardim Califórnia. Rezando o terço, ela lamenta o descaso no local. "Acho importante ter, porque as ruas daqui são longas. Mas isso aqui está um horror", apontando para a sujeira e o mato alto. "Já não passo aqui de noite. Até mudei o dia de ir na missa", confessou.

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Na zona sul, há vielas bem cuidadas. Entre as ruas Flor do Campo e Trevo-Branco, no Parque Ouro Branco, a viela é indispensável. "Temos um postinho de saúde e o hospital aqui perto, então o povo usa bastante", destacou a dona de casa Adriana Oliviero. A limpeza, segundo ela, é feita por quem mora ao redor. "Também pedimos o recape para quem usa cadeira de rodas. Quem reclama (da viela) é porque não coloca a mão na massa", garantiu. O frentista Vilson Lima concorda com a utilidade do espaço, mas pede segurança quando o sol se põe. "Tem muito vagabundo à noite. Já tive filha e neta assaltadas. Quando escurece, você só passa com segurança acompanhado de outras pessoas".


No São Lourenço, o comerciante Paulo Micale diz que a sua "vizinha" viela não dá dor de cabeça. "Jamais cogitaria fechá-la", resumiu. O ponto de ônibus em frente reforça, segundo ele, a importância da passagem. "Encurta a distância e facilita para quem usa o transporte coletivo".
Lixão mesmo está uma das vielas entre as ruas Campinas e Bauru, no jardim Amaro, zona oeste. Matagal e entulhos dominam o pedaço. O aposentado Florêncio Simão, de 93 anos, atravessava indignado. "Se me pagarem eu limpo aqui. É uma coisa tão importante, mas precisa de atenção. Já fui assaltado por dois jovens com uma faca", comentou. Curto e grosso, o morador José Aparecido esbraveja com a viela ao lado de sua casa. "Por mim mandaria fechar essa porcaria. Só serve para esconder vagabundo para roubar gente indefesa e acumular lixo".

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Mesmo com movimento intenso de pessoas e veículos, a dona de casa Wilma Franco diz que a viela no jardim Londrilar, no centro, é segura. "Moro há 40 anos aqui e nunca tive problema. Tem muito mendigo, mas ficam nas esquinas. O que incomoda é a sujeira. A Prefeitura não vem limpar", contou.
A viela no jardim Honda II, zona norte, corta quatro ruas. Estudante, Lorena Santos diz que parte das famílias passam muito tempo fora de casa. "É fácil subir pela viela e olhar o que tem nos quintais, mas a maioria usa para ficar encostado, bebendo e usando drogas. Se tem alguma luz queimada, fica melhor para eles". Para a jovem, a viela serve para a bandidagem. "Usam como rota de fuga". Também vizinha de viela, a recepcionista Bruna Santos é outra que não vê utilidade. "Temos medo porque não sabemos quem pode estar ali. E se ficam esperando alguém sair de casa para assaltar? É uma via ‘morta’, finalizou.


Quem quer comprar?
Ivan Cleber Bunhak, gerente de bens e imóveis da Prefeitura, explicou que algumas vielas foram analisadas e estão passíveis de venda. Um levantamento prévio indica quase 10% do total. "O interessado preenche um requerimento e o Município analisa. Depende do que será feito no local. Muitos, por exemplo, querem a área para usar como estacionamento, o que não é viável devido às galerias pluviais. Se aprovado aqui, a Câmara de Vereadores também deve analisar a finalidade e depois dar o parecer favorável". (E.N).


Mais segurança menos limpeza?
O jardim Shangri-lá, na zona oeste, tem suas vielas fechadas há cerca de oito anos, como a da rua Emilio de Menezes. "Antes não podia ter nada no quintal que já roubavam. Infelizmente os coitadinhos agora tem que andar um pouco mais para chegar até o outro lado. Mas estamos mais seguros", contou dona Neuza Caparelli. Com a área fechada, o mato alto e o lixo acumulam. "Muito difícil aparecer alguém para limpar". Por meio de nota, a CMTU informou que "limpeza nestas vielas está programada para o início de dezembro". Sobre as demais, é seguido o cronograma. (E.N).

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PM também sente dificuldades
O tenente Emerson Castro, oficial de comunicação do 5º Batalhão da Polícia Militar, também comentou. "São raras as ocorrências onde recebemos relatos de roubos nestas vielas. No entanto, onde a PM vai atender alguma ocorrência, os bandidos utilizam destas para fugir e o policiais não conseguem descer com a viatura. Muitas vezes até que a PM faça o retorno, os marginais conseguem se evadir rapidamente. Para a PM, também é prejudicial a existência dessas vielas", afirmou. O oficial ainda orientou a população a evitar passar pelos locais, principalmente à noite.


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