Os motociclistas são responsáveis pelo transporte de pessoas, alimentos, informações (jornais) e até botijões de gás. E pra que tudo chegue com rapidez até o cliente, o trabalho exige muita agilidade no trânsito. O problema é que, em alguns casos, a presteza em cima das duas rodas se transforma em imprudência, grande causadora dos acidentes nas vias de Londrina. Somente em 2015, o Corpo de Bombeiros atendeu mais de mil ocorrências envolvendo condutores de motocicleta no município. No primeiro semestre, 10 morreram na cidade, segundo estatística da Polícia Militar.
"Cerca de 60% a 80% das ocorrências atendidas pelo Siate envolvem motocicletas. No último domingo, por exemplo, 80% dos atendimentos tinham motociclistas envolvidos. A maioria das vítimas é do sexo masculino", explica o major Luiz Alberto Bueno, responsável pelo setor de planejamento e instrumento do Corpo de Bombeiros de Londrina.
Apesar do grande número de vítimas, Bueno não afirma que os motociclistas são os maiores responsáveis. "Acredito que a maior parte dos acidentes é por causa da imprudência, mas não dá para dizer que os motociclistas são realmente os maiores culpados por eles", observa o major.
Quase uma década sem se acidentar
"Você achou praticamente uma ‘mosca branca de olhos azuis’", brincou o mototaxista Moisés Barbosa, após afirmar que nunca sofreu um acidente em 16 anos de profissão. "Nunca machuquei um dedo. Devo tudo isso a um curso que fiz sobre direção defensiva. Em semáforos e cruzamentos, locais que mais acontecem colisões, mesmo estando certo, diminuo sempre a velocidade", comenta ele sobre os cuidados que toma. "Não sou de correr muito. Além disso, procuro trabalhar durante o dia. Evito sair durante a noite e aos fins de semana, quando há muitos motoristas embriagados", salienta ele. "Mas não culpo os motoristas, o número de veículos cresceu muito e as vias continuam pequenas, o que favorece os acidentes. Cabe às pessoas dirigir com cuidado", revela Barbosa. Em quase duas décadas de profissão, ele conta que perdeu dois colegas de trabalho em acidentes de trânsito. (P.M.)
Mortes, motos irregulares, menores de idade...
Com levantamento da Companhia de Trânsito da Polícia Militar, o 5° Batalhão de Londrina repassou ao NOSSODIA a quantidade de acidentes referentes aos plantões realizados no primeiro semestre de 2015, quando 10 motociclistas morreram na cidade. Além disso, a Companhia atendeu 552 acidentes envolvendo motocicletas nos primeiros seis meses do ano. Sobre o mesmo período, 834 motocicletas foram apreendidas durante as blitzes realizadas na cidade. Quanto aos menores de idade flagrados conduzindo motocicletas em 2015, o número chega a 14 condutores, na faixa etária de 12 a 17 anos. Todos envolvidos em acidentes de trânsito. Vítimas de atropelamentos por motocicletas, passageiros e os motociclistas envolvidos em acidentes ocupam grande parte dos leitos dos hospitais de Londrina. No Hospital Universitário (HU), por exemplo, contabilizando o pronto-socorro, a pediatria, os setores feminino e masculino da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o número chega a 185 internações, de acordo com a assessoria de imprensa do hospital. (P.M.)
Acelerar pra pizza não esfriar
A agilidade e versatilidade oferecida pelas motocicletas favorece que encomendas sejam entregues com rapidez e permite que condutores realizem manobras arriscadas no trânsito. Um entregador de pizzas, que não será identificado, conta que a pressa é um dos combustíveis da profissão. "Não vou dizer que não há motoqueiros imprudentes, confesso que há sim, como motoristas de caminhões, de carros, de ônibus, que não respeitam o próximo. Mas há também a cobrança das empresas", admite ele. "Na pizzaria em que trabalho, por exemplo, quando o pizzaiolo atrasa o preparo da pizza, sobra pra gente. Como não querem deixar o cliente esperando, acabam ‘acelerando’ o entregador. Isso deixa o motoqueiro pressionado e alguns se acidentam por isso." (P.M.)